O conselho de César para Jerónimo: o "PCP devia atacar menos o Governo"

A 'geringonça' beneficiou os socialistas como diz Jerónimo de Sousa? Então o líder comunista devia tirar ilações, diz Carlos César.

A 'geringonça' beneficiou os socialistas como diz Jerónimo de Sousa? Então o líder comunista devia tirar ilações, diz Carlos César.

O líder da bancada Parlamentar do PS aconselha o PCP a poupar nos ataques ao Governo.

Jerónimo de Sousa admite que o Governo PS tenha "capitalizado" votos com a correlação de forças no Parlamento decorrente dos acordos com a esquerda, palavras que, diz Carlos César, só provam que os comunistas deviam tirar precisamente essa conclusão.

"Se Jerónimo de Sousa tiver razão nisso, significa que o PCP devia atacar menos o Governo do que o que tem feito", diz Carlos César, uma vez que "se ataca tanto o Governo dissocia-se dos seus sucessos."

Questionado sobre se, por outro lado, a posição conjunta com o PS prejudicou eleitoralmente comunistas e ecologistas, depois do pior resultado de sempre em eleições europeias da CDU, o líder comunista reiterou o "acerto da posição" adotada em 2015.

"Que fique claro para todos e cada um que a grande questão que está colocada aos trabalhadores e ao povo é a de avançar e não andar para trás", sublinhou Jerónimo de Sousa.

Se quiser renovar o entendimento com os socialistas, o Jerónimo de Sousa "terá de refletir e ponderar o posicionamento" nas próximas legislativas, reforça Carlos César.

PAN, o novo amigo dos socialistas

Carlos César diz que nunca afirmou que uma solução como a 'geringonça' "não dava para repetir", mas há coisas que têm de mudar, admite.

"Para a repetição deste formato será necessário uma outra agenda reformista e uma outra agenda temática, um novo caderno de encargos a envolver os partidos que estiverem interessados no suporte de uma solução de Governo em que o PS seja a trave mestra."

Se os socialistas vencerem as eleições primeiro é preciso analisar os resultados, depois avaliar as "disponibilidades" do Bloco de Esquerda e do PCP "ou outros".

E o Partido Pessoas-Animais-Natureza é um dos outros? "Se o crescimento do PAN se verificar nas eleições Legislativas" - nestas Europeias elegeu pela primeira vez um eurodeputado - "torna-o um interlocutor mais válido para uma maioria de apoio ao Governo e portanto deve ser tido em consideração".

Uma ideia em linha com António Costa, que esta destacou a "excelente relação com o PAN" e admitiu integrar o partido como eventual parceiro de uma maioria parlamentar de suporte ao Governo.

Para Carlos César as eleições Europeias têm uma leitura simples: "o PS teve uma vitória muito significativa" - ficou a 11 pontos percentuais à frente do segundo partido mais votado, o PSD.

A piada de António José Seguro

David Justino assume a derrota eleitoral e começa por dar os parabéns ao seu adversário político no programa Almoços Grátis.

Sim, "o PS ganha", admite, mas "António José Seguro deve-se ter rido um bocado." A vitória socialista, diz David Justino, "não foi por poucochinho",como dizia antigo Secretário-geral do Partido Socialista, "mas foi pouco".

Para o social-democrata, a vitória do PS tem apenas um nome: António Costa.

O secretário-geral socialista "ganhou" a crise política motivada pelo caso dos da recuperação integral do tempo de serviço dos professores e "a partir de essa altura foi para o terreno."

"Quem fez a campanha do PS foi António Costa", critica.

Para David Justino, "há dois ganhadores claros": o Bloco de Esquerda e o PAN. O que dá força a outra ideia - se o PS vencer as legislativas "a possibilidade de uma segunda 'geringonça' é elevada".

É Carlos César quem lembra que não está tudo garantido. "Não se pense que o PS acha que por ter ganho estas eleições está a navegar em águas mansas. Tem que fazer muito para ganhar estas eleições".

Com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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