Palavras de Marcelo no 10 de Junho? "Discurso de crise, com laivos de populismo"

O filósofo José Gil concorda em parte com a necessidade de Portugal não se esquecer de ver além dos erros e das fragilidades, mas aponta que é preciso saber o que mudar. E, diz, os portugueses desconhecem por completo.

José Gil, professor e filósofo, reagiu, na manhã TSF, às palavras do Presidente da República no feriado nacional de 10 de Junho. Dirigindo-se ao país, Marcelo descreveu um Portugal que é muito mais "que fragilidades ou erros", mas que não pode "nem deve omitir ou apagar" os seus fracassos coletivos".

"Todas as pessoas de bom senso concordam e apoiam com palavras como essas", mas, por outro lado, as ideias do Presidente português têm, para José Gil, um efeito mobilizador sem que haja um conhecimento das pessoas para essa mudança.

Apesar de bom e bem-intencionado, o discurso está "bem longe da nossa realidade". "Parecem-me mais palavras sobre o ideal de ser português. É, no fundo, um discurso do afeto de ser português e dirigido a todos os portugueses", acrescentou o filósofo.

"Há qualquer coisa que se faz parecer com um discurso de crise, com laivos de populismo, um elogio à nossa nação e ao nosso território nacional, à ética e ao nosso amor à pátria, ao nosso orgulho de ser português e à nossa identidade."

No entanto, segundo o pensador, "os afetos têm que vir da ação e têm que induzir mais ação para serem performativos e para poderem fazer qualquer coisa".

Nesse sentido, José Gil assume-se cético quanto ao efeito mobilizador das palavras do Presidente da República, já que agir contra a corrupção "implica que conheçamos já as nossas fragilidades e os nossos erros, mas não conhecemos, como podemos ver pelos casos de inquérito à Banca".

"É um discurso mobilizador, mas mobilizar para quê, quando? A resposta dos partidos é deplorável e é o discurso de quem não quer fazer nada e que não vai fazer nada", atirou o filósofo português, que considera as palavras de Marcelo "discurso político arredado da realidade", o que dá origem a "populismos e demagogias".

Assim, José Gil aprova, por um lado, a comunicação de Marcelo Rebelo de Sousa. Por outro lado, acredita que "talvez as pessoas precisem de um outro tipo de realidade, que é a nossa, a portuguesa".

"Quando ouço reações dos partidos dizendo que este foi um discurso muito mobilizador, percebo que estes partidos é que não são mobilizadores", finalizou.

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