PAN já chegou a Bruxelas e quer uma das pastas mais cobiçadas do Parlamento Europeu

O eurodeputado eleito Francisco Guerreiro afirmou hoje, em Bruxelas que integrar a comissão parlamentar de "Agricultura" é uma das prioridades do PAN, para os próximos cinco anos.

Na primeira vez que se deslocou a Bruxelas desde que foi eleito, o deputado esperava abordar o assunto com a família política dos Verdes, na qual vai estar integrado, na legislatura que arranca a 2 de julho. O eleito pelo PAN reúne-se, na tarde desta quarta-feira, com o grupo político, que é agora o quarto mais forte, no plenário, esperando vir a conseguir "negociar" uma das pastas mais cobiçadas.

Francisco Guerreiro justificou o "interesse" na comissão parlamentar de Agricultura, esclarecendo que é "uma área que é fundamental para as questões das alterações climáticas, que muitas vezes não é falada", quando é uma atividade com "impacto" ambiental. As "questões relacionadas com o bem-estar animal", também pesam na escolha das prioridades.

"Teremos que negociar dentro da família [política dos Verdes], mas teríamos muito interesse em ficar na de Agricultura", confessou o novo deputado, aos jornalistas portugueses correspondentes em Bruxelas, sem excluir, porém outras pastas, como as "alterações climáticas [ou] energia".

"Mas como é um processo negocial, não podemos fechar agora", disse o deputado, que promete trazer "dinamismo" ao grupo dos Verdes, ao mesmo tempo que tencionam "quebrar um bocadinho as regras dentro dos procedimentos normais, e tentar mexer um bocadinho com a máquina, sabendo que há obviamente procedimentos e há dinâmicas instaladas".

"Queremos também trazer novos temas, dentro da própria família dos verdes europeus, e queremos que haja mais reforço dentro desta componente de priorização das alterações climáticas. Queremos fazer desse tópico um tópico ainda mais reforçado, dentro dos Verdes europeus.

Dinheiro europeu

O deputado garantiu que o seu objetivo não é "fugir" à lógica de distribuição de fundos europeus para a agricultura, mas antes fazer um trabalho diferente, "encarando de outra perspetiva".

"Nomeadamente redirecionar esses fundos para outras culturas, como a produção de alimentos em modo biológico e extensivo, porque nós achamos, que é muito mais positivo, do que cimentar dinheiro e esbanjar dinheiro, em indústrias altamente poluentes como a agropecuária intensiva".

Crítica aos eurodeputados

O recém-chegado ao Parlamento Europeu dirigiu também uma critica aos "eurodeputados portugueses", por não darem a atenção que considera devida à "componente ambiental, mas também na proteção dos direitos dos animais".

"Temos estas duas grandes componentes que nós achamos que a nível dos eurodeputados portugueses não tem sido trabalhada e tem sido desconsiderada. Achamos que é relevante acrescentar este valor, não só na componente ambiental, mas também na proteção dos direitos dos animais", afirmou.

Retórica política

O deputado do PAN reconhece que "sim", ficou satisfeito, por ter havido mais discursos sobre ambiente, na Cimeira informal de ontem, mas considera que "tem de se deixar de ter retórica política e começar a ter prática política".

"Temos visto que a retórica abunda sempre nestes períodos pós-eleitorais, mas depois na prática é sempre difícil lutar contra alguns lobies - alguns setores já estabelecidos", lamentou o deputado.

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