Parlamento

Passos Coelho interrompido pela "Grândola Vila Morena"

O primeiro-ministro foi hoje interrompido quando intervinha no debate quinzenal na Assembleia da República por um grupo de pessoas que entoaram a canção "Grândola Vila Morena", música emblemática da revolução de 25 de Abril de 1974.

O conjunto de cerca de 30 pessoas foram depois levados a abandonar as galerias reservadas ao público, de onde assistiam ao debate.

Pedro Passos Coelho - que aguardou em silêncio que a normalidade fosse reposta - comentou depois: «das formas como os trabalhos podem ser interrompidos, esta parece a de mais bom gosto».

Já fora da Assembleia da República, Paula Gil, do movimento "Que se lixe a troika", explicou aos jornalistas que se tratou de uma ação simbólica para relembrar aos deputados que «é o povo quem mais ordena».

«Foi uma ação simbólica para relembrar aos senhores deputados que é o povo quem mais ordena. E vamos ver o povo na rua amanhã [sábado] e dia 02 de março», disse Paula Gil.

Entre o grupo que esteve nas galerias da Assembleia da República encontravam-se o advogado e dirigente do PCTP-MRPP Garcia Pereira e o cantor Carlos Mendes, mas nenhum quis prestar declarações à comunicação social.

Simultaneamente a esta ação na Assembleia da República, foi enviado às redações um comunicado do movimento "Que se lixe a troika, é o povo em mais ordena", onde é explicado que "a música de José Afonso foi a escolhida para transportar de volta ao local onde se legisla para todos o sentimento de que é necessário outro caminho, que é necessário que haja uma democracia que corresponda às necessidades do povo e não das instâncias internacionais a comandar os destinos do país".

«Esta ação de protesto levou para dentro da Assembleia da República o descontentamento generalizado que se sente nas ruas perante a situação inadmissível em que este governo e a 'troika' internacional colocaram este país, em queda livre com o maior desemprego de sempre e com uma recessão acima dos 3 por cento», lê-se ainda no comunicado.

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