25 de Abril

PCP e BE: Palavras de Cavaco são «discurso de fação» em linha com o Governo

O secretário-geral do PCP considerou o discurso do Presidente da República «identificado» com o Governo da maioria, enquanto o líder do Bloco de Esquerda criticou um «discurso de fação que ofende os princípios da pluralidade».

«Parecia um discurso de primeiro-ministro ou de um primeiro-ministro adjunto, tendo em conta a sua identificação com aquilo que o Gooverno tem vindo a afirmar», afirmou Jerónimo de Sousa, após a sessão solene do 39.º aniversário da Revolução dos Cravos

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Jerónimo de Sousa criticou ainda Cavaco Silva por «não reconhecer que o povo é quem mais ordena, precisamente no dia 25 de Abril», classificando a ideia de que «de nada valerá ganhar ou perder eleições», apresentada pelo Chefe de Estado uma «demonstração de que o Presidente da República é tão responsável como o Governo pela situação que vivemos».

«Não fica bem a um Presidente da República pôr as decisões europeias, nomeadamente o Tratado Orçamental, à frente da Constituição da República Portuguesa», concluiu.

Já o líder do Bloco de Esquerda, João Semedo, defendeu hoje que o Presidente da República fez um «discurso de fação», em que reconheceu o «insucesso da política de austeridade e apelou a mais austeridade» e à «resignação».

«O Presidente da República fez um discurso de fação que ofende os princípios da pluralidade e da democracia do 25 de Abril», afirmou João Semedo aos jornalistas após a sessão solene de comemoração dos 39 anos do 25 de Abril.

Reagindo ao discurso do Presidente da República, Cavaco Silva, João Semedo disse que o Chefe de Estado «reconheceu o insucesso da política de austeridade e apelou a mais austeridade e sobretudo à resignação dos portugueses perante essa austeridade».

«Foi um discurso inacreditável que até os cravos que estavam em frente do Presidente da República caíram, tal foi o choque com as palavras do Presidente», afirmou.

«O Presidente da República é hoje o fio que agarra o Governo. Este é, como já alguém já disse, um Governo de iniciativa presidencial», sublinhou, numa alusão a uma frase proferida pelo ex-primeiro-ministro José Sócrates numa entrevista recente.

Para João Semedo, a intervenção de Cavaco Silva pode ter apelado ao consenso, mas contraria esse consenso ao ter sido «um discurso de sustentação da maioria política e ideológica que o elegeu, um discurso próprio de um tempo em que há uma maioria de direita, um Governo de direita e um Presidente de direita».

«É grave que um Presidente da democracia, considere que a democracia, que as eleições, não são a solução para as crises políticas», afirmou.

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