Privados na saúde não são "um bicho papão" para o Governo

No programa da TSF Almoços Grátis, Jamila Madeira admite que as PPP não têm de ser "o bicho papão" da Lei de Bases da Saúde. David Justino diz que o problema do SNS é "má gestão".

Jamila Madeira defende que a nova Lei de Bases da Saúde é um "instrumento crítico" para a melhoria do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Em declarações no programa da TSF Almoços Grátis, esta quarta-feira em substituição de Carlos César, a vice-presidente do grupo parlamentar do PS afirma que esta "é uma responsabilidade" do Governo: "Levar tão longe quanto possível este instrumento que consideramos crítico para o SNS."

Esta terça-feira, Rui Rio acusou o PS de ter feito "uma negociação exclusiva com PCP e BE", enquanto "a maioria das propostas do PSD" para a Lei de Bases da Saúde "foram reprovadas" e David Justino reiterou isso mesmo.

"Se for para resolver problemas do interesse nacional podem contar com o PSD. Não temos complexos", diz o social-democrata.

"Naquilo que estávamos de acordo - com certeza", mas "não houve nenhum bodo aos pobres", responde Jamila Madeira.

Há assuntos em que o partido do Governo se diz "inflexível" e questão das parcerias público-privadas (PPP) é a que mais divide socialistas e sociais-democratas.

"Não vemos nenhum bicho papão nos privados", defende a vice-presidente do grupo parlamentar do PS, "não precisam é de injeções financeiras e recursos humanos apoiados pelo Estado."

David Justino defende que os "problemas fundamentais" do SNS não decorrem da falta de leis e regulação, mas sim do "financiamento e capacidade de gestão."

"Se temos mais mais recursos, se temos mais dinheiro se temos mais pessoal, se temos mais hospitais (...) e se as pessoas se queixam, os profissionais se queixam e os jornais refletem o que se passa, então tenho uma conclusão: há má gestão. Temos recursos e não os sabemos utilizar."

O social-democrata argumenta, além disso, que foi cometida uma "asneira básica" no SNS: passar das 40 horas de trabalho para as 35. Foi uma medida "desastrosa" e um "erro de lesa-pátria", diz.

David Justino afirma que "para o PSD não era absolutamente urgente que se fizesse revisão da lei de bases da saúde" no quadro atual. Mas o Governo tinha "uma pressa enorme", porque correspondia à agenda política do Bloco de Esquerda, acusa.

Jamila Madeira defende, por sua vez, que não há falta de profissionais nesta área - o problema é que estão nos privados. Por isso, "é preciso criar aliciantes para as carreiras".

Além disso, "o reforço financeiro dos mais de 1600 milhões de euros começa para repor tudo o que foi cortado nos quatro anos anteriores."

A socialista não fica sem resposta. "Ao fim de quatro anos de governação continua-se a culpar o Governo anterior", condena David Justino. É revelador da "incapacidade para governar" socialista.

Com Nuno Domingues

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