Relatório final da comissão de inquérito à CGD aprovado por unanimidade

Deputados aprovaram o documento depois de quase oito horas de debate e votações.

O relatório final da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi hoje aprovado por unanimidade. É a primeira vez que um relatório desta natureza é aprovado por unanimidade em comissões de inquérito à banca.

Os deputados aprovaram o relatório às 21h20, depois de quase oito horas de debate e votações, incluindo duas horas à porta fechada.

As principais conclusões cerram fileiras contra o Banco de Portugal, que falhou na supervisão, criticam a gestão do banco, que não foi sã e prudente, a administração de Santos Ferreira, a falta de atenção de sucessivas tutelas e referem ainda a responsabilidade política do Governo de José Sócrates no "período mais crítico de 2005-2008".

Fora deste relatório final fica uma proposta do PSD, que pretendia incluir no relatório final a ideia de indícios de práticas de gestão danosa no banco público.

João Almeida, deputado do CDS-PP, apresentou as propostas de alteração que foram votadas esta quarta-feira. Apesar do chumbo da proposta do PSD, o deputado centrista lembra que tal não impede que sejam referidos vários crimes no banco público.

"Consta deste relatório uma conclusão que diz esta comissão de inquérito aprofundou matérias que podem constituir indício de prática de crimes. A questão é que gestão danos é um crime de entre muitos. A comissão concluiu que podiam ter sido praticados vários crimes, não restringiu a apenas um tipo de crime", explica o deputado.

A aprovação do relatório remete o documento - bem como todo o espólio de documentos a que os deputados tiveram acesso - para o Ministério Público, onde serão analisados os "indícios de prática criminosa".

Sobre os trabalhos desta comissão, João Almeida faz um balanço "muito positivo" e destaca a "base sólida" da unanimidade alcançada na aprovação do documento.

A comissão foi aprovada em fevereiro e as audições arrancaram em março. Desde então houve 36 audições (com duração total de 136 horas e 32 minutos), depoimentos escritos de várias personalidades e entidades (como o ex-primeiro-ministro José Sócrates ou a Comissão de Ética do Banco de Portugal) e recebidos milhares de documentos.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de