Resultados do CDS foram "muito maus", mas PSD teve o resultado "mais duro"

Apesar da derrota pesada dos centristas, António Lobo Xavier entende que foi o partido liderado por Rui Rio aquele que teve a derrota mais pesada. A operação do Fisco nas estradas portuguesas também marcou presença na Circulatura e foi classifica de "delírio".

Os resultados do CDS nas eleições Europeias deste domingo são, para António Lobo Xavier, fáceis de classificar mas difíceis de aceitar.

Foram "muito maus, em choque não diria, mas estou entristecido, não gosto", admitiu o centrista em mais uma edição da Circulatura do Quadrado. O mandatário nacional da campanha europeia do CDS lamenta a falta de foco partido, admitindo mesmo que tem dificuldade em identificar as "cinco grandes mensagens" que o partido tem "produzido na sociedade portuguesa" nos últimos seis meses.

"O que é que é ocupar o espaço da direita? Não é manter um discurso sobre o 25 de novembro e dizer que os comunistas quiseram tomar de assalto o país e que o Sócrates - embora isso seja importante - levou o país à bancarrota", identifica o advogado. Estas são linhas de pensamento que, defende, não correspondem à preocupação das pessoas "moderadas" que podem votar à direita.

Lobo Xavier entende que o CDS pode "manter a identidade", respondendo, ainda assim, a questões mais atuais. Ainda assim, o resultado mais "duro" destas eleições não é do CDS, mas sim o do PSD.

Na análise ao discurso de Rui Rio, pessoa de quem admite gostar, Lobo Xavier assume ficar revoltado quando o líder do PSD é "tão pouco eficaz e tão pouco lógico".

"O discurso da noite eleitoral é péssimo, volta a falar em entendimentos com o PS quando acabou por ser derrotado" com essa mesma ideia que corresponde a algo que, acrescenta Lobo Xavier, "o PS não quer".

Jorge Coelho entende que os socialistas venceram "de forma clara" e deixou um aviso aos que perderam: "Quem radicaliza discursos na vida política, ou por razões ideológicas ou por razões de outra natureza, perde."

Perante estes resultados, o antigo ministro entende que há um novo cenário em Portugal no qual a "antiga concentração de votos" no PS, PSD e CDS está a "espalhar-se por outros partidos".

Um desses novos partidos é o PAN, a surpresa destas Europeias, que Pacheco Pereira diz ter algumas propostas "completamente radicais e absurdas", que aconselha a ler.

"Teve um bom resultado, mas tenho a certeza que a maioria das pessoas que votou no PAN, votou sem saber quais são as propostas" do partido, defende. Assim, concordou com Carlos Andrade, que lhe perguntara se o PS faria um "negócio perigoso" caso se entendesse com o PAN para formar Governo.

Pacheco Pereira identifica um aspeto posítivo na ação do PAN: a posição em relação às touradas que não é, no entanto, exclusiva deste partido. "Fora disso é um programa muito radical", afirma.

Já em relação ao PSD, o problema identificado por Pacheco Pereira é o de que foi um partido "muito virado para a direita nos anos da Troika e do Passos Coelho" e que abandonou um espaço "fundamental e que ninguém ocupa" na política portuguesa: o de um partido "reformista". "O PS, pela sua ligação à Geringonça, não faz reformas", atirou.

Quando começou, o desenvolvimento Geringonça gerou dúvidas a Jorge Coelho mas hoje, como o próprio admite, vê-a como "um projeto conseguido, com resultados para as pessoas" que são demonstrados por estas Europeias.

Fisco e GNR na estrada

António Lobo Xavier considera "escandaloso" o caso das operações conjuntas da GNR com o Fisco para cobrar dívidas e efetuar penhoras aos contribuintes com dívidas. Se foi legal? "Totalmente ilegal, uma coisa própria de um estado soviético ou fascista, um delírio", entende o advogado.

Jorge Coelho assumiu-se "completamente de acordo" com o colega de painel. Questionado sobre como alguém pode ter achado que o sucedido fosse uma boa ideia, o antigo ministro lembra que "há sempre pessoas que acham que as coisas mais estapafúrdias são excelentes ideias, como é o caso".

Seguiu-se o elogio ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, que de forma "exemplar", segundo Jorge Coelho, geriu o assunto e assumiu responsabilidades pelo sucedido, suspendendo a operação assim que soube dela.

Já Pacheco Pereira entende que este "não é um caso isolado" e que "faz parte de uma certa cultura do Fisco, que viola a privacidade das pessoas, as leis de proteção de dados, inverteu o ónus da prova e que é pouco eficaz a ir às verdadeiras pessoas que fogem ao Fisco". No entanto, é "particularmente eficaz contra os pequenos. É um problema antigo", alertou".

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