Política

Sócrates convidou Passos para o Governo

José Sócrates revela, em entrevista à TSF, que chegou a convidar o atual primeiro-ministro a juntar-se a ele no Governo. Agora, defende que o PS deve exigir eleições antecipadas.

Seja qual for a assinatura exigida ao Partido Socialista nos próximos meses - programa cautelar ou segundo resgate - José Sócrates defende que António José Seguro tem de exigir uma única moeda de troca, as eleições antecipadas.

«Repare, qual era o problema do anterior pacto proposto pelo Presidente da República? Porque no fundo o que o Presidente queria era dizer ao PS "vais assinar o orçamento". Como é que o PS pode assinar este orçamento? Por isso, estou convencido que se houver isso [programa cautelar ou segundo resgate], isso passará naturalmente por eleições e verdadeiramente acho que é o que o país precisa», afirma.

Sobre a hipótese de evitar esse cenário de eleições antecipadas com a entrada do PS no Governo, numa espécie de bloco central de salvação nacional, o antigo primeiro-ministro revela, nesta entrevista à TSF, que em 2011 convidou Pedro Passos Coelho para uma coligação mais do que uma vez, um convite sempre recusado.

«Falei duas ou três vezes ao então líder da oposição nessa possibilidade. Isso foi recusado porque o líder da oposição queria ser primeiro-ministro. Muito bem, agora é primeiro-ministro. Mas agora é o líder do PS que lhe diz, dois anos depois, que não aceita ir para o Governo nestas circunstâncias, o que eu compreendo muito bem», revela.

Numa altura em que diversas vozes, internas e externas, apontam a Constituição como um entrave, José Sócrates afirma que um cenário de revisão constitucional deve ser, a esta altura, a "linha vermelha" de Seguro. «Espero uma oposição frontal, porque todos aqueles que acham que se deve transformar a Constituição num centro de disputa política, estão a cometer um erro», sublinha.

A entrevista a José Sócrates passa na íntegra logo à tarde na TSF, depois das 17:00 e tem como pretexto de atualidade o lançamento (amanhã )do livro «A confiança no mundo - sobre tortura em democracia», que chega esta semana às bancas.

Na obra, Sócrates faz uma rejeição absoluta da prática da tortura, defendendo que «a linha vermelha da dignidade humana é uma defesa da democracia face a ela própria».

O antigo Primeiro-ministro considera ainda que as democracias devem preparar-se para os tempos de exceção, para as situações-limite, alterando as constituições apenas durante períodos de normalidade, rejeitando dessa forma qualquer alteração constitucional em tempos de crise.