Um "derrotão" chamado abstenção e dois "vitorãos": os do Bloco e do PAN

José Pacheco Pereira e Jorge Coelho comentaram os resultados deste domingo de eleições europeias numa edição especial da Circulatura do Quadrado.

O painel da Circulatura do Quadrado reuniu-se para comentar os resultados das eleições Europeias que aconteceram este domingo. Sem António Lobo Xavier em estúdio, José Pacheco Pereira começou por explicar o fenómeno a que a Europa acabara de assistir: "Isto não é uma eleição, é uma mini-eleição".

"Não dizem nada à maioria dos portugueses, só havia uma motivação para as pessoas votarem, que era punir o Governo. Pelos vistos essa motivação também não é muito significativa e, portanto, houve um derrotão", o da abstenção.

Há, depois e com recurso a neologismos, dois "vitorãos": um do Bloco de Esquerda e outro do PAN. E ainda a vitória do PS, a derrota do PSD, um "derrotão" da CDU e outro "derrotão" do CDS.

As intervenções do Presidente da República incomodam Pacheco Pereira. Ou melhor, não as acha apropriadas. "É uma coisa demagógica que lhe fica mal. Vai ao Banco Alimentar quando quiser, faz a publicidade que quiser e nisso tem mérito. Mas não vai de fatinho completo, objetivamente não vai trabalhar", critica o antigo vice-presidente do Parlamento Europeu.

Jorge Coelho, por seu lado, não cai na "tentação" de não discutir a Europa, crítica que foi sendo feita ao longo das últimas edições da Circulatura do Quadrado.

A vitória não foi "poucochinha" e, para o antigo ministro, já há cinco anos não o tinha sido. Jorge Coelho defende que o PS teve um resultado "muitíssimo bom" nestas eleições "em primeiro lugar porque o seu opositor ficou a praticamente 11% do PS e foi uma grande derrota para o PSD" depois de Rio e Rangel, recorda, terem dito que "iria ser fácil ganhar estas eleições".

Na análise aos resultados, Jorge Coelho nota que "quem radicalizou o discurso na campanha, perdeu as eleições", enumerando o "resultado muito mau" do CDS e o "derrotão" - adotando o termo de Pacheco Pereira - do PSD. "Há uma coisa que nem Rui Rio, nem Paulo Rangel, podem dizer: que havia turbulência interna no PSD", atirou.

Quanto ao "excelente resultado" do Bloco de Esquerda, houve uma "troca de posições" com o PCP em relação ao último exercício europeu. "Se juntarmos os votos do projeto que está à volta do Governo do PS, como um todo, subiram e muito desde as últimas eleições", recorda Jorge Coelho.

Ainda no mundo dos números, o socialista nota que o PS "teve mais votos sozinho, do ponto de vista percentual, do que a direita junta". Olhando já para outubro, Jorge Coelho não acredita que estes resultados catapultem os socialistas para uma maioria absoluta nas legislativas. Nota ainda para o PAN, que "teve um grande resultado e acho que tem condições de continuar a subir nas próximas eleições".

Para Pacheco Pereira, o PS sai destas Europeias com a legitimidade "reforçada". Já o PCP enfrenta um problema de "erosão da linguagem" e dos próprios apoiantes, que o faz ir perdendo votos eleição após eleição.

"A linguagem num partido político pesa muito quando envelhece, tal como pesa muito quando rejuvenesce, que foi o que aconteceu com o Bloco de Esquerda", explica.

Na análise à derrota do CDS, Pacheco Pereira identifica a arrogância como causa da mesma e exemplifica comparando a postura da cabeça de lista do BE, Marisa Matias, que "gera uma grande empatia e simpatia", com a dos candidatos do CDS, que geraram uma "relação de antipatia e enorme arrogância política".

"Eu não sou contra campanhas e candidatos agressivos, mas têm de ter substância, alguma coisa por trás", explica.

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