"Intransigência"? BE acusa Governo de "não mostrar vontade para negociar"

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, considera na TSF que as nove propostas do partido "respondem a questões fundamentais" e o Governo, "na maioria delas, não deu sequer resposta".

O Governo pede que seja feita uma avaliação do Orçamento do Estado para 2022 além das nove propostas do Bloco de Esquerda (BE). Entrevistado por Fernando Alves, esta segunda-feira, na TSF, Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, reage a este pedido com "estranheza".

"Do ponto de vista negocial, é estranho que o Governo peça isso, porque o Governo sabe há muito tempo que estas são as nove propostas que o BE levou a negociação", confessa. A coordenadora do BE, Catarina Martins, anunciou no domingo que o partido votará contra o Orçamento do Estado para 2022 caso o Governo não aceite as nove propostas "muito claras".

Para Pedro Filipe Soares, as propostas do BE "respondem a questões fundamentais que são problemas estruturais do país nas diversas áreas e que diariamente somos confrontados com estas dificuldades e o Governo em todas as nove propostas não deu respostas satisfatórias, e na maioria delas, não deu sequer resposta".

"Isto parece-nos que não mostra uma vontade de negociar", afirma.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social acusou no domingo o BE de "intransigência" no processo negocial do próximo Orçamento do Estado, considerando que as opções têm de resultar de "compromissos e não de imposições".

Em conferência de imprensa do Governo marcada para reagir ao anúncio do voto contra do BE e detalhar a perspetiva do Executivo sobre o processo negocial, Ana Mendes Godinho defendeu que o atual Orçamento "é uma oportunidade para as políticas de esquerda em Portugal e de reafirmação do Estado social em Portugal".

"Não faz sentido ao longo de todo este processo acusar o BE de intransigência e, desse ponto de vista, o BE tem disponibilidade para dialogar e negociar com o Governo", sublinha Pedro Filipe Soares.

No entanto, "o Governo tem de perceber que depois de tantas semanas em que o BE apenas colocou nove propostas em cima da mesa. Não dar resposta a nenhuma delas não faz sentido quando, por outro lado, o próprio Orçamento do Estado também tem um conjunto de fragilidades que nós já identificamos".

"O que nós apresentamos é a forma de melhorar um Orçamento do Estado que não é aquela maravilha que o Governo tem anunciado desde o início", remata.

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