Isabel dos Santos em Portugal. MP vai investigar suspeitas de branqueamento de capitais

Empresária angolana fez transferências de 58 milhões de dólares no dia anterior ao da exoneração da Sonangol.

A empresária angolana Isabel dos Santos vai ser investigada pelo Ministério Público (MP) português por suspeitas de branqueamento de capitais ligadas a transferências de grandes quantias de dinheiro a partir de contas com sede em Portugal.

A notícia é avançada pela edição online do Público , que explica que, segundo a lei de Angola, as autoridades do país não têm competências para investigar lavagens de dinheiro a partir do estrangeiro.

O jornal adianta ainda que o Ministério Público português deve recorrer a uma cópia de elementos da prova de um inquérito que está pendente no Departamento Central de Investigação e Acção Penal há anos para dar início à investigação, já que a melhor forma de o fazer ainda não está definida. As autoridades portuguesas querem autonomizar a investigação relativa à empresária.

Contactada pela TSF, a Procuradoria-Geral da República portuguesa ainda não respondeu.

SAIBA TUDO SOBRE OS LUANDA LEAKS

Entre os elementos recolhidos há três transferências - num valor global de quase 58 milhões de dólares - transferidos a dia 16 de novembro de 2017. No dia anterior, era anunciada a exoneração de Isabel dos Santos da liderança da Sonangol.

Este dinheiro terá saído de uma conta da petrolífera angolana no EuroBic, em Lisboa, e foi colocado numa conta bancária de uma offshore gerida por Mário Leite da Silva e detida por uma amiga. Este inquérito teve origem em 2011, resultado de uma queixa-crime apresentada pelo antigo embaixador angolano, Adriano Parreira.

O diplomata denunciava um desvio dinheiros públicos angolanos, enviados para Portugal e o processo envolvia o antigo ministro de Estado e chefe da Guarda Presidencial Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, conhecido como general Kopelipa, e ainda o general Fernando Miala, chefe dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado.

O processo esteve parado durante mais de quatro anos devido a uma disputa com origem numa decisão do juiz Ivo Rosa, que considerou que a Justiça portuguesa não tinha competência para investigar alguns dos envolvidos.

Um Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou no domingo mais de 715 mil documentos, sob o nome de 'Luanda Leaks', que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

Isabel dos Santos disse estar a ser vítima de um ataque político orquestrado para a neutralizar e sustentou que as alegações feitas contra si são "completamente infundadas", prometendo "lutar nos tribunais internacionais" para "repor a verdade".

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