"Aguentámo-nos bem." Jerónimo de Sousa diz que Marcelo desvalorizou presidenciais

Jerónimo de Sousa elogiou a postura do candidato presidencial comunista "num quadro de grande condicionalismo".

O comité central do PCP reuniu-se esta terça-feira para analisar os resultados das eleições presidenciais e o combate à pandemia. Em conferência de imprensa, Jerónimo de Sousa garantiu que João Ferreira "aguentou-se bem" e apontou o dedo a Marcelo Rebelo de Sousa por ter "desvalorizado as eleições".

O secretário-geral do PCP sublinhou o aumento de 3,95 para 4,32 por cento, em relação às eleições de 2016, com Edgar Silva.

"Nos aguentámo-nos bem, crescemos num quadro de grande condicionalismo. Não fizemos campanha de rua, e ficamos à mercê da comunicação social", disse.

Sobre a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, Jerónimo de Sousa referiu que o chefe de Estado desvalorizou as presidenciais e beneficiou do apoio do Governo, num aparente "unanimismo".

"A reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta traduz o resultado expectável de uma elaborada promoção deste candidato que, para lá da vantagem decorrente do exercício das funções presidenciais, beneficiou da fabricação de um aparente unanimismo. Assinale-se a sua atitude de desvalorização destas eleições, particularmente visível na ostensiva não utilização de meios de esclarecimento disponíveis, suportada numa ensaiada postura austera quanto a meios e recursos de campanha, contribuindo também para uma menor mobilização eleitoral", explicou.

Para um segundo mandato, Jerónimo de Sousa prevê a "possibilidade real" de Marcelo Rebelo de Sousa se colar à direita. "Para lá do que se proclama, o agora reeleito Presidente da República exercerá um segundo mandato com um alinhamento daqui para a frente ainda mais explícito com os objetivos e agenda da política de direita, que nunca deixou de estar presente em importantes decisões adotadas no desempenho das suas funções."

Jerónimo de Sousa recusou a transferência de votos dos PCP para a extrema-direita, mas, por outro lado, admitiu que algum eleitorado comunista pode ter-se revisto na candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado sobre uma possível candidatura de João Ferreira à Câmara Municipal de Lisboa, Jerónimo de Sousa deixou a porta aberta. "Não estamos na fase escolhas de candidatos. João Ferreira, tal como outros meu camaradas, estão em condições de assumir essas tarefas no plano autárquico", disse, a acrescentou que conta com o eurodeputado e "com milhares e milhares de comunistas, democratas e patriotas que se reveem no projeto da CDU."

O eurodeputado comunista João Ferreira ficou em quarto lugar, à frente da bloquista Marisa Matias, subiu percentualmente, de 3,95% para 4,32% no resultado, mas perdeu em número de votos absolutos relativamente à candidatura de Edgar Silva, em 2016.

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