Líder parlamentar do PSD preocupado com juros na habitação faz mira a Medina

Joaquim Miranda Sarmento vaticina que inflação vai "ficar em cima da mesa algum tempo" e junta ainda a preocupação com a subida das taxas de juro das prestações bancárias. Exigindo resposta "robusta" do governo, líder parlamentar do PSD ataca Medina: "tecnicamente, não é economista conceituado e, politicamente, é alguém diminuído".

A aula foi longa e teve sempre como pano de fundo o cenário de inflação. Joaquim Miranda Sarmento demorou pouco nas críticas já habituais do PSD ao governo - de que a resposta foi tardia e de que o Executivo está desgastado - mas deixou clara a perceção que tem para o futuro: as famílias vão "sofrer significativamente" com a inflação e com a subida das taxas de juro.

Para o economista que lidera a bancada social-democrata no parlamento, "vamos ter a inflação em cima da mesa durante algum tempo, com todos os efeitos que tem na política monetária". Nas previsões de Miranda Sarmento, o país vai ter de lidar com um cenário inflacionista acima dos 2% e a resposta que está a dar atualmente é insuficiente.

Passando em revista a questão das pensões e dos salários da função pública para o próximo ano, falando mesmo em "ilusão monetária" da parte do governo, o parlamentar sublinha uma grande preocupação com a subida das taxas de juro nas prestações bancárias, nomeadamente do crédito habitação, que "só agora é que começa a ter alguma atenção mediática, mas que é bastante mais preocupante".

Diz o social-democrata que um dos grandes problemas está no facto de uma larga maioria destes empréstimos em Portugal ter uma taxa de juro variável, ao contrário de outros países europeus. "Não é um problema de génese europeia, não é um problema que afete a esmagadora maioria dos países europeus. Não afeta praticamente Espanha, nem Itália, França ou Alemanha. A percentagem de empréstimos bancários com taxa variável nos grandes países europeus é inferior a 30%, enquanto que em Portugal é superior a 70%", realça.

Lembrando as anteriores crises em que a própria União Europeia teve um papel significante na definição de estratégias para tentar mitigar os efeitos na sociedade e economia, Miranda Sarmento não acredita que a solução também possa vir daí nesta crise que está a bater à porta, precisamente pelo facto de não afetar da mesma forma, pelo contrário, os diferentes Estados-membros.

Por isso, Miranda Sarmento fala numa "dupla tenaz" que vai afetar os portugueses nos próximos dois anos: "as famílias vão, nestes próximos 18/24 meses, sofrer significativamente com estes dois efeitos e sem que o governo tenha, até agora, dado uma resposta robusta e eficiente àquilo que são os problemas das famílias e também das empresas".

Na "aula" que deu à sobremesa do jantar do primeiro dia do encontro interparlamentar do PSD, em Ponta Delgada, Miranda Sarmento também quis deixar uma crítica direta ao responsável pela pasta das Finanças: "um ministro das Finanças que, tecnicamente, não é um economista conceituado e, politicamente, é alguém diminuído".

O presidente da bancada do PSD faz mesmo o contraponto com os antecessores de Medina, deixando uma palavra sobre Mário Centeno e João Leão, cujas políticas orçamentais criticou nos últimos anos, mas a quem reconhece mérito académico que não vê no atual governante.

Para o futuro, o apelo deixado nesta lição económica para deputados regionais, nacionais e europeus, é de que esta é hora de ter uma resposta mais forte no combate à crise instalada e que é preciso que se aproveite este momento para fazer as tão defendidas reformas estruturais que permitam um crescimento económico sustentável do país.

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