Ligações à China? Pinto Ramalho vai fiscalizar segredos de Estado, mas IL questiona pela "declaração de interesses"

O general Pinto Ramalho é presidente da Liga da Multissecular Amizade ​​​​​​​Portugal-China.

A audição aos futuros membros da Entidade Fiscalizadora do Segredo de Estado, que vão ser eleitos na sexta-feira com os votos do PS e PSD, corria de feição, até a Iniciativa Liberal (IL) levantar dúvidas sobre a ligação do antigo Chefe do Estado-Maior do Exército, General Pinto Ramalho, à China.

Pinto Ramalho é uma escolha do PSD, vai presidir à entidade fiscalizadora, mas é também presidente da Liga da Multissecular Amizade Portugal-China.

Antes da troca de galhardetes entre a bancada liberal e a mesa da comissão, Pinto Ramalho até enumerou várias valias: "Estive na NATO, e liderei os oficiais que lidam com armas nucleares, portanto, tenho consciência do que é o dever de sigilo."

A deputada Patrícia Gilvaz questionou o general "se acautelou as ligações à liga de amizade Portugal-China" e deixou no ar possíveis incompatibilidades.

"A China consta em documentos estratégicos da União Europeia como rival, com interesses económicos e geopolíticos com valores contrários aos nossos. Além disso, temos presenciado vários problemas em Macau", explicou.

A questão não caiu bem a Pinto Ramalho, que subiu o tom: "Não tenho a ver se a China faz isto ou faz aquilo, na qualidade de eventual presidente da entidade fiscalizadora tenho é de cumprir a lei."

O antigo Chefe do Estado-Maior do Exército acrescentou que a bancada dos liberais "deve esclarecer se as dúvidas são sobre ele ou sobre a China" e ameaçou até sair, antes de ser eleito, se as dúvidas se comprovarem.

"Se é uma questão de confiança para comigo, vou-me já embora", atirou.

Pinto Ramalhou garantiu que "não tenciona abandonar a liga" e explicou que a única função é "estabelecer relações entre as duas comunidades", já que muitos portugueses pedem "contactos com a embaixada chinesa", mas "a ação termina aí".

A questão da IL levou até à intervenção do presidente da comissão de Defesa, o socialista Marcos Perestrello, assumindo que "o país estaria muito mal se estivéssemos em condições de colocar em causa a idoneidade do general Pinto Ramalho".

Na Assembleia da República, foram ouvidos os membros da lista conjunta do PS e PSD à Entidade Fiscalizadora do Segredo de Estado, que tem eleição garantida com os votos dos dois maiores partidos. Além de Pinto Ramalho, que será o presidente, fazem parte da lista o embaixador Fernando d'Oliveira Neves, e o deputado socialista Pedro Delgado Alves.

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