"Lisboa não tem um presidente da Câmara." Moedas contesta "autoavaliação" de Medina

Carlos Moedas diz que "um verdadeiro autarca assume responsabilidades políticas" e pede uma auditoria externa ao envio de dados de manifestantes.

Carlos Moedas diz que, nesta altura, "Lisboa não tem um presidente de câmara". O candidato do PSD à capital reage assim às conclusões apresentadas por Fernando Medina, depois do envio de dados de manifestantes para as embaixadas dos países visados.

O social-democrata afirma que um verdadeiro autarca teria assumido responsabilidades políticas, "e não teria banalizado erros dos funcionários da câmara municipal".

"Num caso onde há vidas em jogo, tem que haver responsabilidades políticas. Não ouvimos uma palavra do presidente da Câmara sobre essa responsabilidade e isso é inaceitável", apontou.

Carlos Moedas diz que a autarquia lisboeta deve avançar com uma auditoria mais abrangente, e não apenas sobre os ações internas que levaram à transmissão de dados dos manifestantes.

"O que se exige é mais do que uma auditoria interna. Eu chamo a isto uma autoavaliação, o que precisamos é de uma auditoria externa, para responder a todas as perguntas. Todas as comunicações que foram feitas, temos de saber o detalhe: foram comunicados os dados pessoais?", questionou.

Moedas assume que falou com outros autarcas, que lhe garantiram "que nunca enviaram estes dados" para outros entidades, a não ser para a polícia e para o Ministério da Administração Interna.

O candidato do PSD admitiu ainda que, na opinião dele, as soluções apresentadas por Fernando Medina não resolvem os problemas. "Pode acabar com o gabinete de apoio ou despedir os que estão no gabinete. Não assumindo essa responsabilidade, está a dizer que é um líder que culpa os que estão à sua volta", afirmou.

O gabinete de apoio à presidência será extinto, dando lugar à divisão de expediente. Será exonerado o responsável da Câmara pela proteção de dados, e será pedida uma análise externa a estes procedimentos da autarquia.

Fernando Medina salientou, em conferência de imprensa, que a situação que se verificou com o envio de dados à embaixada russa não foi caso único, continuando a verificar-se depois da extinção dos governos civis, em 2011.

Medina admitiu que a prática "inadequada" visou um "direito que deve ser consagrado a todos", daí ter ordenado um "apuramento cabal dos factos, com enorme celeridade".

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