Livre lamenta "declarações gravosas" mas não sanciona Joacine

Assembleia do partido entende que não existe matéria que dê lugar a "repercussão disciplinar".

O Livre não vai aplicar qualquer "repercussão disciplinar" à deputada única do partido, Joacine Katar Moreira, mas a Assembleia do partido deixa recados num comunicado divulgado esta terça-feira.

Num extenso comunicado, a Assembleia do Livre, órgão dirigente alargado e máximo entre Convenções e reunido no domingo e segunda-feira, mostrou-se "verdadeiramente consternada pelos acontecimentos das últimas semanas" em que o partido "tem estado envolvido e no evitável conflito em público a que esteve sujeito".

O órgão defendeu que "devem ser reiterados os valores que pautam a intervenção pública dos membros do Livre, incluindo os eleitos, nomeadamente a lealdade, urbanidade, o respeito pelas decisões legítimas dos órgãos e a colegialidade na tomada de decisões".

No documento, a assembleia faz notar que a deputada não pediu desculpas pelas declarações "gravosas para a honra e dignidade do partido, dos seus membros, apoiantes e simpatizantes, assim como dos seus órgãos", dizendo esperar que a "situação não se venha a repetir".

A anterior reunião da Assembleia tinha pedido esclarecimentos ao Conselho de Jurisdição, o qual delegou no Conselho de Ética e Arbitragem a averiguação dos factos ocorridos no processo de comunicação entre Joacine Moreira e o Grupo de Contacto, marcado por comunicados com acusações mútuas e também por declarações da parlamentar que acusou a direção de falta de apoio inclusive durante a campanha eleitoral.

A CEA considerou que "não há divergências políticas substanciais, mas há um desentendimento" nos procedimentos tomados na Assembleia da República, uma razão que a comissão não considera ser suficiente para justificar quaisquer processos disciplinares.

A mesma comissão aconselha "a que se trabalhe a confiança" e a articulação politica entre a deputada Joacine Katar Moreira e o partido, mas assegura que a "matriz do Livre não foi afetada" pelo episódio da abstenção de no voto de condenação aos ataques israelitas a Gaza.

Perante este parecer, a Assembleia do Livre, que esteve reunida no domingo, apela ao reforço da confiança entre a deputada eleita e o partido, de forma a ultrapassar "o clima de desentendimento".

A Assembleia do Livre reafirmou ainda que o partido "privilegia um relacionamento cordato com os órgãos de comunicação social, respeitando o trabalho dos jornalistas, sem o prejuízo da normal crítica cívica e democrática".

"O Livre é o único partido da esquerda portuguesa que não nasceu sob uma orientação marxista ou leninista. É um partido que se situa no meio da esquerda, sem extremismos, nem intolerâncias. Defende a convergência. É universalista e europeísta. Defende os direitos individuais e os direitos das minorias. Luta pela justiça social e pela justiça ambiental. É feminista e antirracista. Defende a liberdade, a igualdade e a solidariedade. É cosmopolita. É fiel à sua matriz eco socialista democrática e recusa a mercantilização das pessoas, do trabalho e da natureza", definiu-se na reunião de domingo e segunda-feira.

A Assembleia do Livre tinha anunciado, na madrugada desta segunda-feira, ter chegado "a posições comuns", não especificadas, após ter ouvido "a Comissão de Ética e Arbitragem, a deputada Joacine Katar Moreira e o Grupo de Contacto".

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