"Sem norte." Montenegro acusa Costa de "insensibilidade social" e promete "encarreirar" o Governo

Montenegro diz que "a divisão" no Governo contrasta com "a motivação e mobilização" do PSD.

No primeiro Conselho Nacional como líder do PSD, Luís Montenegro definiu dois caminhos na política nacional: por um lado, um "Governo dividido, confuso e sem norte", mas com um PSD "motivado, alegre e mobilizado". Com um discurso centrado nos "constrangimentos", que marcam os seis meses do Governo, o líder social-democrata acusa António Costa de "insensibilidade social".

O discurso que deu o pontapé de saída à reunião máxima entre congressos foi aberto à comunicação social, antes da discussão dentro de portas, com Luís Montenegro a passar em revista várias polémicas. Da demissão de Marta Temido, à quase contratação de Sérgio Figueiredo por Fernando Medina, o líder do PSD "deixou o pior para o fim".

"O Governo está sem norte, está a usar e a abusar da maioria que o povo concedeu ao Partido Socialista. E, mais importante, o país e as pessoas estão a empobrecer", atirou.

Um dos exemplos definidos por Luís Montenegro é a polémica com as pensões, acusando o Governo de "um corte de mil milhões de euros", no que pareceu uma terceira ronda do debate parlamentar, que colocou António Costa a responder às questões e acusações dos deputados.

Montenegro acusa o primeiro-ministro de "jogos de palavras" para fugir ao corte que o "Governo vai implementar em 2024". O Executivo vai dar um bónus de meia pensão em outubro, para combater a inflação, reduzido o aumento previsto da reforma para 2023.

"O primeiro-ministro pode fazer os jogos de palavras que quiser. Não está em causa as pensões subirem de valor de 2022 para 2023 ou de 2023 para 2024. O que está em causa é que o valor do aumento em 2023 tem menos mil milhões de euros", afirmou.

Luís Montenegro acrescenta que "o valor em 2023, 2024, 2025" ou "até ao fim das vidas dos pensionistas" terá um "corte de mil milhões de euros". "Ponto final", atirou.

Com "tantas habilidades", Montenegro diz que António Costa acaba "por se atrapalhar" nas próprias palavras, acusando o primeiro-ministro e os socialistas "de insensibilidade social".

"Se é um suplemento extraordinário, o primeiro-ministro e o Governo perderam mesmo a noção de sensibilidade de justiça social: o que estão a fazer é dar 2.500 euros a quem ganha cinco mil euros de pensão, dois mil a quem ganha quatro mil e é dar 200 a quem ganha 400 ou 150 a quem ganha 300. Isto é intolerável numa política socialista ou social-democrata", acusou.

Sobre aeroporto, o líder do maior partido da oposição diz que o PSD sentou-se à mesa com o Governo "a bem do interesse nacional", até porque, em sete anos, "não havia metodologia, nem plano estratégico" para a futura infraestrutura.

E, na reta final do discurso, de 45 minutos, Luís Montenegro prometeu, "sempre que for necessário", colocar os interesses nacionais à frente do partido.

"Quando for preciso encarreirar para fazer, estaremos cá, mas é para fazer bem, a bem de Portugal", garantiu.

Já "nos próximos dias ou semanas", o PSD vai apresentar propostas para o Orçamento do Estado, que é entregue pelo Governo, na Assembleia da República, a 10 de outubro.

A reunião acontece após a direção apelar ao voto no candidato do Chega a vice-presidente da Assembleia da República, o que causou desconforto em parte da bancada do PSD. Carlos Moedas, primeiro conselheiro da lista de Montenegro, falha a primeira reunião do partido, por se encontrar fora de Portugal, a desempenhar funções como presidente da câmara de Lisboa.

Notícia atualizada às 00h05

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