Magalhães 2.0? O "compromisso" de Costa que promete computador e net aos alunos

António Costa anunciou que, para combater as desigualdades, pretende que todos os alunos tenham acesso a equipamentos e internet. Para alguns alunos será um "esforço" para breve, mas a medida será "universal" no próximo ano letivo.

O tema era o prolongamento do encerramento das escolas no terceiro período, mas António Costa deixou escapar um "compromisso" para o próximo ano letivo: uma espécie de Magalhães ou e-escola 2.0 para alunos do básico e do secundário.

O primeiro-ministro, perante uma pandemia que transformou as divisões da casa em escritórios e salas de aula à distância, admitiu que está a ser feito um "duplo-esforço" para combater as desigualdades e permitir que todos os alunos tenham acesso a ferramentas essenciais para o estudo à distância.

"Um compromisso que estou em condições de assumir de, no início do próximo ano letivo, aconteça o que acontecer, termos assegurada a universalidade do acesso às plataformas digitais, quer em rede, quer em equipamento, para todos os alunos do básico e do secundário", afirmou o chefe do Executivo durante o briefing do Conselho de Ministros, ao lado do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Costa anuncia (ainda) mais um esforço

Mas o esforço era "duplo", como tinha referido. Assim, apesar de este "não ser seguramente universal", Costa sublinhou que vai ser feito um esforço para "poder apoiar os alunos do Secundário que não têm equipamentos necessários ou acesso à rede" para poderem ter a melhor qualidade possível no ensino à distância. Este parece um esforço para breve, tendo em conta que os alunos do 11.º e 12.º anos vão mesmo fazer os exames nacionais.

As datas foram adiadas, há a possibilidade de estender o ano letivo até 26 de junho e a primeira fase dos exames vai ser entre 6 a 23 de julho. Tendo em conta que faltam "quase três meses", e apesar de não haver certezas sobre o estado da pandemia do novo coronavírus para essa altura, Costa assegura que os exames são para cumprir, "no pior dos casos" cumprindo as "regras de afastamento social, nem que tenham de se realizar fora dos espaços das escolas, requisitando pavilhões".

Até que as aulas voltem a ser presenciais, um cenário ainda longínquo, mas que tem mesmo acontecer, nem que seja "uma ou duas semanas para tirar dúvidas", aponta o primeiro-ministro, os alunos vão continuar a ter aulas à distância.

Os tempos do e-escola

Já em 2008, o Governo de José Sócratesc criou o e-escolas, um programa que tinha como objetivo que todos os alunos tivesses um computador e banda larga. Os mais novos tinham acesso ao Magalhães, enquanto a partir do 2.º ciclo era possível aceder a outros computadores portáteis. A ideia teve fim no Governo de Passos Coelho.

Na época do Magalhães havia um computador por aluno no 1.º ciclo. Agora, mais de dez anos depois, e de acordo com o relatório "Educação em Números 2019", da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), há falta de computadores e a internet é limitada.

Entre 2008 e 2010 foram atingidos os valores mais baixos de sempre em Portugal, mas este resultado reverteu-se e em 2017-2018 já havia quase sete alunos por computador.

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