"Malhador" Santos Silva pode provocar "ricochete" no Orçamento do Estado

David Justino adivinha dificuldades na negociação do OE 2020, depois da intervenção em que o ministro Santos Silva "malhou na esquerda". Carlos César aplaude: é "necessário demarcar a autonomia política do PS".

"Eu até gosto de o ver malhar na esquerda, devo confessar." A ironia de David Justino tem como destinatário Augusto Santos Silva, que subiu ao púlpito no Parlamento para fechar os dois dias de debate do programa de Governo. Nessa altura, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros referiu que o PS avisou a esquerda contra as "coligações negativas e contranatura entre o centro-direita e todas as forças à esquerda do PS", considerando que isso seria uma traição ao ao eleitorado".

David Justino considerou "autofágico e uma forma de autodestruição" a maneira que o ministro encontrou para "malhar na esquerda". "A sobranceria arrogante que Santos Silva demonstrou... Parece que andava a engolir há muito tempo; se calhar andou quatro anos a engolir e teve uma oportunidade única de destapar a tampa."

O vice-presidente do PSD acredita que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros terá deixado os ex-parceiros de geringonça bastante melindrados com estas críticas implícitas o que poderá ter complicado as negociações, que começam na próxima semana, para o Orçamento do Estado. "Veremos como corre", disse.

Uma clarificação importante?

Para Carlos César, no entanto, as declarações de Augusto Santos Silva foram importantes para demarcar "a autonomia política do PS em Portugal".

"O discurso é muito importante. De uma forma direta, criticou quem acha que se pode interferir com imprevidência financeira, só pela gula de medidas justas do ponto de vista social."

Carlos César considera importante compreender que o Partido Socialista "não é como o PCP ou o BE", e defende que, se esses partidos sustentaram a sua campanha eleitoral em torno do combate a uma maioria absoluta do PS, "devem garantir a estabilidade". O presidente do PS acredita que o que isto transmitiu ao país foi a mensagem: "Se votarem no BE ou PCP, nós garantimos a estabilidade pública depois."

O ministro "distinguiu o que é uma lógica de pisca-pisca e de ziguezagues, mas não deixou de fazer o que uma pessoa de bem deve fazer em democracia: não excluir diálogos", defendeu Carlos César.

Polícia mau, polícia bom

David Justino discorda, e acusa Santos Silva de se ter posicionado como o "polícia mau", numa altura em que António Costa se reservou para não dizer o que tinha a dizer à esquerda.

"Eu acho que o PS está a pisar terrenos muito complicados." Terrenos onde vivem partidos que nem sempre "são flores que se cheirem", como o BE e o PCP, conforme afirma David Justino. "Vamos ver como corre o ricochete."

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