Manuel Monteiro diz que indecisão do CDS sobre refiliação é "questão política"

Manuel Monteiro garante que escreveu uma carta ao secretário-geral do CDS com um pedido de esclarecimentos sobre o motivo pelo qual a atual direção não decidiu sobre o seu regresso.

Manuel Monteiro garante que mantém a vontade de regressar ao CDS, apesar de o partido ter adiado até ao congresso de janeiro uma decisão sobre o pedido de refiliação.

Ouvido esta manhã pela TSF, o antigo presidente centrista revela que soube da decisão pelos jornais, e confessa não compreender que, nas atuais circunstâncias, o CDS esteja a excluir e não a juntar as pessoas.

"Eu não estou magoado, estou surpreendido. Penso que neste momento aquilo que o CDS deveria pretender era reunir todos os que estão, os que estiveram e os que nunca estiveram mas podem estar."

Para Manuel Monteiro, "esse é que é o grande objetivo de um partido político que acaba de sair de um resultado eleitoral menos favorável e que deve querer lutar para retomar uma posição política que é sua, e reconquistar um espaço político que é o seu".

"Isso faz-se juntando pessoas, não excluindo pessoas", assinala o antigo presidente do CDS que responde "claro que sim" quanto à manutenção de uma vontade de regresso. "Penso que por vezes há a ideia de que os partidos são quintais de algumas pessoas, e os partidos não são quintais particulares de ninguém", aponta.

Manuel Monteiro garante que escreveu uma carta ao secretário-geral do CDS com um pedido de esclarecimentos sobre o motivo pelo qual a atual direção não decidiu sobre o seu regresso.

"Quero apenas saber qual a razão estatutária, a regra que os leva a não decidir readmitir-me", apelou o ex-centrista, que acredita que esta "situação não está prevista [nos estatutos do CDS]", mas admite que possa "estar equivocado".

Por este motivo, Manuel Monteiro está convencido de que se trata de uma decisão política. "Não tenho dúvidas de que há aqui uma questão política. Por um lado, pode haver o entendimento de que eu, filiando-me agora, poderia ter assento no próximo congresso, uma vez que os estatutos dizem que os ex-presidentes do partido têm assento por inerência."

"Eu quero que fique claro que, se algum dia pensasse em ir ao próximo congresso do CDS, jamais o faria recorrendo a essa situação", assevera o ex-líder do partido.

Manuel Monteiro espera desde setembro por uma decisão do partido sobre o seu pedido de refiliação. A ficha de inscrição foi entregue na concelhia do CDS da Póvoa de Varzim, que recebeu o pedido "com entusiasmo".

"O CDS não apaga a sua história"

Ouvido pela TSF, Salazar Castelo Branco, o líder da concelhia da Póvoa de Varzim considera que a lei não está a ser cumprida, e, por isso, na próxima semana anunciará medidas.

Para o líder da concelhia onde Manuel Monteiro entregou a ficha de inscrição, esta "é uma questão política quando, neste caso, não deveria ser uma questão política. Deveria ser uma questão estatutária. Penso que está a ser cometida uma ilegalidade".

Salazar Castelo Branco salienta ainda que "a concelhia, no tempo certo, irá defender a sua honra e a sua dignidade, e irá pedir que sejam cumpridos os regulamentos e estatutos do partido. Iremos tomar uma posição firme, em princípio, já na próxima semana".

De acordo com Salazar Castelo Branco, "todos os líderes e ex-líderes do partido têm de ser tratados com dignidade, porque o CDS não apaga a sua história nem a reescreve". "Todos os presidentes do partido têm de ser tratados com um mínimo de dignidade", diz o líder da concelhia que já questionou a direção do CDS sobre a matéria, mas sem resposta até ao momento.

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