Marcar diretas no PSD em cima de possíveis legislativas é "irresponsabilidade muito grande"

David Justino garante que os conselheiros do PSD têm "toda a liberdade" para decidir sobre a data das eleições no partido, mas recorda os avisos já deixados pelo Presidente da República.

O vice-presidente do PSD, David Justino, alertou esta quinta-feira, em direto na TSF, que marcar eleições diretas no PSD "coincidentes com um hipotético calendário de legislativas" pode representar uma "irresponsabilidade muito grande".

O partido, explica, não tem certezas de que há uma crise política a caminho, mas reconhece haver "um contexto que não pode pôr de parte" que tal aconteça. "Todos os indicadores o apontam e não são apenas as declarações típicas deste período" de negociação e na pré-votação do Orçamento do Estado para 2022, pelo que a crise política é um cenário com "alguma probabilidade", o que leva os conselheiros nacionais a ter de reunir informação para tomarem "a melhor opção".

Confrontado na TSF com as críticas a Rui Rio, Justino diz ter dúvidas sobre "onde está o desespero" - se na direção ou na oposição - mas alerta que há três cenários possíveis para a marcação das diretas e que tal "não é compatível com qualquer visão conspirativa".

Os conselheiros têm "toda a liberdade" para tomarem a opção que entendam, mas "não há drama nenhum nisto, não vale a pena estarmos com desesperos". David Justino nega também a existência de qualquer "estratégia" que permita a Rui Rio ganhar tempo, enaltecendo que o objetivo é dar elementos aos conselheiros "com mais de 24 horas de antecedência".

"Se querem marcar eleições, mais cedo ou mais tarde, coincidentes com um hipotético calendário de eleições legislativas", tal pode representar uma "irresponsabilidade muito grande", defendeu, alertando para as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que já avisou para uma possível crise política. "É o quadro que conta, não é A ou B", garantiu ainda o vice-presidente do PSD, questionado sobre se Rio já aponta a uma candidatura em hipotéticas legislativas.

O Conselho Nacional do PSD reúne-se hoje, a partir das 21h00, em Lisboa, com a marcação das diretas e do Congresso na agenda, mas com um pedido de última hora de Rui Rio para que só o faça depois da votação do Orçamento.

Na quarta-feira à tarde, a direção enviou aos conselheiros a proposta de realização das eleições diretas para escolher o presidente do PSD para 4 de dezembro (dia do aniversário da morte do fundador Francisco Sá Carneiro), com uma eventual segunda volta no dia 11, caso nenhum candidato obtivesse mais de 50% dos votos.

A proposta da Comissão Política Nacional (CPN) apontava para a realização do 39.º Congresso do PSD entre 14 e 16 de janeiro, em Lisboa, numa antecipação de cerca de um mês em relação aos dois anteriores atos eleitorais internos.

Os conselheiros nacionais receberam, além desta proposta, uma "hipótese de cronograma", em que as diretas se realizariam em 8 de janeiro (com eventual segunda volta dia 15) e o Congresso entre 4 e 6 de fevereiro.

*com Ana Cristina Henriques

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