Marcelo admite que execução de PRR "pode precisar de folga" devido à guerra

Marcelo Rebelo de Sousa acredita que os prazos de execução dos Planos de Recuperação e Resiliência, por parte dos vários países europeus, podem ficar condicionados, tendo em conta o conflito na Ucrânia.

O Presidente da República admite que a execução dos Planos de Recuperação e Resiliência (PRR) poderá ter de ser adiada, se a guerra na Ucrânia se prolongar. Marcelo Rebelo de Sousa lembra que o rumo do conflito no leste da Europa é, nesta altura, ainda "muito indefinido".

Esta quinta-feira, em Braga, onde se encontra para o início das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o Presidente respondeu aos jornalistas, que o questionaram em relação ao facto de a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, ter admitido, em entrevista ao jornal Público e à rádio Renascença, que o aumento do preço das matérias-primas poderá levar ao incumprimento das metas originalmente traçadas para os projetos do PRR, quer em termos de calendário, quer em termos de dimensão dos projetos.

Marcelo Rebelo de Sousa começou por notar que existem dois tipos de derrapagens: as que dizem respeito à demora provocado pelo que tempo que leva a contratação pública e as que dizem respeito à guerra.

"A guerra está a ter consequências nos preços de tudo", referiu Marcelo Rebelo de Sousa, lembrando que, ao aumento dos preços do custo de produção, junta-se a falta de mão-de-obra.

"Com a guerra perdem todos. Mesmo os que acabem por vencer a guerra, perdem - há sacrifícios, mortos, feridos, problemas económicos e financeiros", frisou o Presidente, apontando que, como se tem verificado, até Portugal perde com o conflito. "Mesmo nós que, aparentemente, estamos longe, não estamos", constatou.

Por este motivo, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que os prazos de execução dos Planos de Recuperação e Resiliência, por parte dos vários países europeus, podem ficar condicionados.

"Pode ser que se chegue à conclusão de que, se a guerra se prolongar muito, a execução dos PRR precise de folga. Mas é tudo ainda muito indefinido. Ninguém sabe, em rigor, quanto tempo a guerra pode demorar", declarou.

O Presidente da República foi ainda questionado sobre a reunião de emergência que teve com o Presidente da Polónia, a pedido do próprio. Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou revelar o teor da conversa, mas sublinhou que, em relação à guerra, Portugal está "do lado do Direito e da ética", o "lado da Ucrânia", mesmo que mantenha relações com países que não têm a mesma posição.

"Somos muito determinados nessa decisão, mas não cortámos relações diplomáticas com outros países abstencionistas ou que estão do outro lado. Cada Estado é soberano e são os políticos desses Estados quem define a sua política externa", acrescentou.

ACOMPANHE AQUI TUDO SOBRE A GUERRA NA UCRÂNIA

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de