Marcelo analisa o próprio discurso e destaca que países sozinhos não resolvem problemas

Presidente da República aproveitou uma pequena entrevista pós-discurso para explicar as ideias que quis transmitir em Nova Iorque e lançou-se mesmo numa análise à prestação de Joe Biden.

Passavam poucos minutos do final da intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa na Assembleia Geral das Nações Unidas quando o próprio aproveitou uma entrevista às portas da sala onde tudo se passa para resumir e analisar as suas próprias palavras, escolhendo até a frase que elege como mais importante. Mas, à sua moda, Marcelo Rebelo de Sousa não renegou a veia de comentador e avaliou mesmo a estreia do presidente dos EUA, Joe Biden, perante os restantes líderes mundiais.

Em declarações à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa disse que a ideia do discurso que fez era a de ser "curto, incisivo, com frases diretas, que todas as culturas percebessem e que tocasse no fundamental".

E o fundamental, defende Marcelo, é que "este mundo já não é o que era". Na autoavaliação, o Presidente da República argumentou mesmo que a frase mais importante do seu discurso é a de que os vários polos do mundo "têm de falar, não há nenhum deles que por si só, ou apenas com alguns parceiros, possa resolver os problemas" que enfrenta.

"É preciso multilateralismo, compromisso, consenso", que dependem do respeito das regras internacionais. "E depois disse que não bastam discursos. Se se fazem discursos, mas não se dá meios às Nações Unidas", assinala, "dá-se com uma mão o que se tira com a outra e o mundo fica ingovernável".

Condensar em oito minutos todas as preocupações do Presidente da República foi um desafio, mas no fim ficou a ideia, defende, de que "nós não mudamos, com Portugal já sabem aquilo com que podem contar, nós somos fiáveis".

Numa pequena crítica a discursos de "20, 25 ou 30 minutos" - defendeu que "não há atenção que aguente discursos de mais de sete, oito minutos" - e reconhecendo que o próprio chegou aos nove minutos "porque havia cumprimentos", Marcelo diz esperar ter atingido o efeito pretendido, que é a de passar a mensagem de que "estamos totalmente ao lado" das ideias do secretário-geral António Guterres.

O discurso de Biden "foi o clássico" - uma crítica que Marcelo diz estar à vontade para fazer por ter optado pelo mesmo aquando do seu primeiro discurso na ONU, em 2016 -, mas "quando tudo é importante, nada é importante". Assim, defende, fica um exercício "para satisfazer vários interlocutores", mas que deixa no ar o seguinte: "Qual vai ser a linha fundamental? Daquele cardápio todo, aquilo é uma ementa, qual vai ser a linha escolhida?"

"As maiores potências têm essa questão, de fazer o equilíbrio" com as opiniões públicas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de