Marcelo apela ao voto em "memória deste ano e meio que não esqueceremos"

Chefe de Estado saúda o trabalho de "centenas de milhares de candidatos" numa campanha que apelida de longa e difícil e realça a importância de votar para "recomeçar a viver a vida a que todos temos direito".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deixou este sábado uma mensagem de apelo ao voto dos portugueses nas eleições autárquicas deste domingo, assinalando-o como um "redobrado dever de consciência", como sinal de "memória deste ano e meio que não esqueceremos" e como uma materialização da "vontade de sair da crise definitivamente e de recomeçar a viver a vida a que todos temos direito."

O chefe de Estado assinala que estas eleições são as "primeiras marcadas por três crises ao mesmo tempo - a da pandemia, a da economia e a da sociedade", e defende que, apesar da "memória das pessoas" ser, por vezes, "curta", desta vez "não esquecemos nem esqueceremos".

No mês de julho, quando estas eleições foram convocadas, recorda Marcelo, Portugal ainda vivia sob restrições para combater a Covid-19 e muitas delas "duraram até à própria campanha eleitoral, em setembro", ao ritmo do avanço da vacinação.

"Tudo isto, numas eleições que envolveram não dezenas ou centenas de portugueses, mas centenas de milhares de candidatos para três mil e noventa e duas Assembleias de Freguesia, trezentas e oito Assembleias Municipais e mais trezentas e oito Câmaras Municipais", assinala o chefe de Estado, que deixa um "acrescido reconhecimento" aos que se empenharam nas "longas e difíceis campanhas".

"Só quem foi candidato a autarca em tempos muito, muito mais simples - eu sei do que falo - pode entender bem o que é fazer campanha numa situação como esta", confessa também o Presidente da República, que não deixa de assinalar o "sentido de sacrifício dos autarcas de todas as sensibilidades" e de recordar "aqueles que nos deixaram ao serviço das populações".

"Foram excecionais a acorrer a casos dramáticos, tantas vezes sem meios, sem tempo, para tamanhas urgências. Em casas, em lares, em escolas, em locais de trabalho e em unidades de saúde. Descobriram material de proteção sanitária, testes, ventiladores, improvisaram espaços de isolamento profilático, serenaram emigrantes, ajudaram infetados, apoiaram desempregados e insolventes, choraram mortos e deram força a vivos. É isto ser-se autarca. E, ser-se autarca, numa crise, na saúde, na economia e na sociedade", realça.

E se aos que venham a ser eleitos, Marcelo Rebelo de Sousa deixa uma mensagem de "exigente esperança" para recuperar da "mais inesperada e abrupta crise do último século", aos eleitores o chefe de Estado deixa um "veemente apelo" ao voto, que, este domingo, diz ser "mais importante do que nunca".

"É um redobrado dever de consciência. Por memória deste ano e meio que não esqueceremos. Por vontade de sair da crise definitivamente e de recomeçar a viver a vida a que todos temos direito", conclui.

Leia a mensagem na íntegra:

"Portugueses,

As eleições de amanhã, as décimas terceiras eleições locais da nossa Democracia são, no entanto, as primeiras marcadas por três crises ao mesmo tempo - a da pandemia, a da economia e a da sociedade.

Nós sabemos que a memória das pessoas é, frequentemente, curta. Mas, desta vez, não esquecemos nem esqueceremos.

Até ao início de maio, vivíamos em estado de emergência. Em junho, em estado de calamidade.

As restrições permaneciam quando as eleições foram convocadas, em julho, e as candidaturas apresentadas, em agosto. E muitas dessas restrições duraram até à própria campanha eleitoral, em setembro. À medida que a notável aventura coletiva da vacinação ia ganhando o combate contra a pandemia - mérito do pessoal da Saúde, de instituições e serviços básicos, de autarcas, das Forças Armadas e da maioria esmagadora dos Portugueses.

Tudo isto, numas eleições que envolveram não dezenas ou centenas de portugueses, mas centenas de milhares de candidatos para três mil e noventa e duas Assembleias de Freguesia, trezentas e oito Assembleias Municipais e mais trezentas e oito Câmaras Municipais.

Para a coragem cívica de todas e de todos que se empenharam em longas e difíceis campanhas, vai o nosso acrescido reconhecimento.

Só quem foi candidato a autarca em tempos muito, muito mais simples - eu sei do que falo - pode entender bem o que é fazer campanha numa situação como esta.

Para o sentido de sacrifício dos autarcas de todas as sensibilidades - no poder ou na oposição - ao longo do último ano e meio, vai a nossa profunda gratidão.

Em especial, para aqueles que nos deixaram ao serviço das populações.

Foram excecionais a acorrer a casos dramáticos, tantas vezes sem meios, sem tempo, para tamanhas urgências. Em casas, em lares, em escolas, em locais de trabalho e em unidades de saúde.

Descobriram material de proteção sanitária, testes, ventiladores, improvisaram espaços de isolamento profilático, serenaram emigrantes, ajudaram infetados, apoiaram desempregados e insolventes, choraram mortos e deram força a vivos.

É isto ser-se autarca. E, ser-se autarca, numa crise, na saúde, na economia e na sociedade.

Para quem vier a ser eleito, tendo a missão essencial de recuperar da mais inesperada e abrupta crise do último século, vai a nossa exigente esperança.

Finalmente, para os eleitores, vai o meu veemente apelo.

Um apelo como Presidente da República, mas também como português.

Votar amanhã é mais importante do que nunca.

É um redobrado dever de consciência.

Por memória deste ano e meio que não esqueceremos.

Por vontade de sair da crise definitivamente e de recomeçar a viver a vida a que todos temos direito."

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