Marcelo defende que "ninguém lhe perdoaria" se permitisse uma crise política

Chefe de Estado entende que não seria aceitável deixar "criar condições" para uma crise política num momento em que já há uma crise sanitária e económica.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta terça-feira que "ninguém lhe perdoaria" se permitisse a criação de condições para uma crise política no atual contexto de crise sanitária e consequente crise económica.

Em declarações à RTP e à TVI, à saída do Palácio da Cidadela, em Cascais, onde hoje o Conselho de Estado esteve reunido, Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou a ideia de procura "ser presidencialista" no exercício das suas funções, argumentando que "sabe bem o que está na Constituição", até "porque a votou".

"Agora, também sabe que ninguém lhe perdoaria se, com duas grandes crises, o Presidente deixasse criar condições, sem a prevenir, para uma crise que era a terceira crise em cima das outras duas", considerou.

O Presidente da República realçou que, por não ter o poder de dissolução nestes últimos seis meses do seu mandato, uma crise política agora será "ainda por cima uma crise a prazo, para ser resolvida em junho do ano que vem, começar agora e durar até junho do ano que vem", e concluiu: "É um disparate".

Em seguida, o chefe de Estado assinalou que "ao longo dos anos" tem feito apelos para evitar crises nos processos de aprovação dos orçamentos do Estado, "as pessoas é que não notaram".

"Não tem nada de grave nem tem nada de original, não é novo", relativizou.

Marcelo Rebelo de Sousa saiu do Palácio da Cidadela cerca de 50 minutos depois de ter terminado a reunião do Conselho de Estado, que contou com a participação da presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen.

Nas declarações que prestou à RTP e à TVI, voltou a elogiar a liderança da presidente da Comissão Europeia neste momento "muito crítico" de crise económica e social provocada pela pandemia de covid-19.

"Primeira conclusão: há líder europeia. Segunda conclusão: gosta de Portugal", afirmou o chefe de Estado, acrescentando: "O que está encaminhado para ser decidido será decidido, ela fará tudo para que seja decidido. Há uma determinação, uma vontade, uma força, uma liderança".

Relativamente a Portugal, segundo o Presidente da República, Ursula von der Leyen visitou o país pela primeira vez e "ficou muito impressionada".

"Neste curto período, e nos contactos antes tidos, percebeu o esforço que nós fizemos no passado para recuperar as nossas finanças, percebeu como apanhámos em cima com a pandemia e voltou tudo para trás, para pior do que para trás", disse.

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