Marcelo elogia "resistência" das populações afetadas pelas cheias

O presidente visitou as zonas mais afetas, na última semana, pelas depressões Elsa e Fabien.

O Presidente da República defendeu que agora importa fazer um levantamento dos danos causados pelas cheias no Baixo Mondego, na última semana, tendo realçado a "resistência" das populações.

"É preciso fazer o levantamento dos prejuízos para ver como se avança", disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas em Montemor-o-Velho, Coimbra, elogiando a "capacidade de resistência" das pessoas afetadas.

O Presidente da República prestava as primeiras declarações na vila de Ereira, no distrito de Coimbra, durante a visita que está a efetuar, esta tarde, aos locais do Baixo Mondego mais afetados pelas cheias da semana passada.

Marcelo Rebelo de Sousa está a visitar, desde o início da tarde, a região do Baixo Mondego, no distrito de Coimbra, passado o período crítico das inundações, para obter informação no local sobre os efeitos do temporal.

O Presidente da República afirmou que as cheias no Baixo Mondego são "um problema nacional" que exige soluções diferentes das do passado. "Se o problema é maior, as soluções não são exatamente as mesmas do passado", declarou aos jornalistas, em Formoselha, no concelho de Montemor-o-Velho, após ter visitado alguns dos locais mais atingidos pelas cheias da semana passada.

O chefe de Estado destacou ainda o trabalho do poder local, que "esteve presente" na realização das ações mais urgentes para minimizar a devastação causada pela subida das águas do rio Mondego, e considerou que também "o Governo percebeu a importância do que se passou".

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, as populações afetadas "estiveram solidárias" com as autarquias da região e seus representantes, enquanto o poder local, por sua vez, estando "mais próximo" dos cidadãos, respondeu às necessidades imediatas com os meios disponíveis.

A extensão dos danos provocados pelas cheias "agora é diferente", disse, admitindo também que as populações "estão atualmente mais exigentes" do que nas últimas décadas, quando outros desastres naturais idênticos afetaram a região, antes e depois de iniciadas as obras do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, há cerca de 40 anos.

"Isso é a democracia. A exigência subiu no tempo", sublinhou o Presidente da República, que, nas paragens em diferentes localidades, ao longo da tarde inteira, procurou ouvir os populares, confortando-os com palavras, beijos e abraços.

O chefe de Estado, que acertou esta deslocação com o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, esteve acompanhado pelo ministro do Ambiente, José Pedro Matos Fernandes.

Na sequência da passagem das depressões Elsa e Fabien, Marcelo Rebelo de Sousa divulgou uma nota a dar conta de que estava a acompanhar a situação do mau tempo em Portugal, em particular no Baixo Mondego, onde a rutura de dois diques provocou cheias, e prometeu deslocar-se àquela região.

Na véspera de Natal, anunciou que iria fazer esta visita, declarando: "Vou observar, vou ver, e vou contactar com a realidade, conforme prometi, no tempo adequado, que é estabilizada a situação e não durante o período crítico -- exatamente o mesmo que adotei em relação aos incêndios. Entendo que ganho em perceber o que se passou e aquilo que está a ser pensado".

Os efeitos do temporal provocaram três mortos e deixaram 144 pessoas desalojadas e outras 352 deslocadas por precaução, registando-se mais de 11.600 ocorrências, na maioria inundações e quedas de árvores.

A depressão Elsa, entre os dias 18 e 20, a que se juntou no dia 21 a depressão Fabien, provocou também condicionamentos na circulação rodoviária e ferroviária, bem como danos na rede elétrica, afetando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

Notícia atualizada às 19h57

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