Marcelo esclarece declarações: número de casos de abuso não é elevado "face à provável triste realidade"

Presidente da República recorda que vários relatos "falam em números muito superiores em vários países".

Depois de ter defendido que o número de denúncias de abuso sexual na Igreja Católica em Portugal não lhe parecia "particularmente elevado", Marcelo Rebelo de Sousa veio esclarecer, após críticas de vários partidos, que as mais de 400 denúncias não lhe pareceram elevadas "face à provável triste realidade".

"Vários relatos falam em números muito superiores em vários países e infelizmente terá havido também números muito superiores em Portugal. O Presidente da República espera que os casos possam ser rapidamente traduzidos em Justiça. Tal como fez no início de setembro, transmitindo imediatamente à PGR a denúncia que recebeu, continuará a promover e apoiar todos os esforços para que os abusadores sejam responsabilizados e afastados de qualquer situação que possa permitir a reincidência nestes comportamentos, seja no seio da Igreja Católica, ou em qualquer outra situação", pode ler-se em nota publicada no site da Presidência da República.

Questionado pelos jornalistas sobre este número de testemunhos divulgado esta terça-feira pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, o Presidente da República respondeu: "Não me surpreende".

O chefe de Estado disse que tem a acompanhado o trabalho desta comissão e salientou que "não há limite de tempo para estas queixas" que têm estado a ser recolhidas, algumas "de pessoas com 90 anos, 80 anos e que fazem denúncias relativamente ao que sofreram há 60, ou há 70, ou há 80 anos".

"Significa que estamos perante um universo de pessoas que se relacionou com a Igreja Católica de milhões ou muitas centenas de milhares", acrescentou o Presidente da República, concluindo: "Haver 400 casos não me parece que seja particularmente elevado, porque noutros países e com horizontes mais pequenos houve milhares de casos".

Segundo Pedro Strecht, coordenador da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, houve até agora "424 testemunhos recolhidos", mas "o número mínimo de vítimas será muitíssimo maior do que as quatro centenas e os abusos compreendem todas as formas descritas na lei portuguesa".

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