Marcelo faz as medalhas falar: "Dos quatro, três são de origem direta ou indireta africana"

Chefe de Estado deixou críticas aos que "veladamente têm na cabeça fantasmas de discriminação étnico racial" e assinalou que a "integração efetiva" de quem chega a Portugal torna o país mais forte.

O Presidente da República afirmou esta quarta-feira que é uma "alegria" Portugal ter obtido o "melhor resultado de sempre nos Jogos Olímpicos", defendendo que "Portugal é grande quando consegue a integração efetiva".

"É bom que pensemos que, dos quatro medalhados, três são de origem direta ou indireta africana: um afro-cubano português, uma angolana portuguesa, outro são-tomense português. Isto mostra que realmente Portugal é grande quando consegue a integração efetiva daqueles que de fora vêm, cá nasceram, ou não nasceram cá e cá chegaram no decurso das suas vidas", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República fez uma declaração no Palácio de Belém, após, esta madrugada, Pedro Pablo Pichardo ter conquistado a medalha de ouro na prova do triplo salto dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Realçando que a "força de Portugal" reside na diversidade cultural, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que, quando, "de vez em quando", se encontra em Portugal "tantos que aberta ou veladamente têm na cabeça fantasmas de discriminação étnico racial", devem lembrar-se que, "quando se orgulham com medalhas nas olimpíadas", essas são devidas "a todos eles: portugueses hoje, mas de várias origens, de várias etnias".

"Esta é uma mensagem forte de alegria por esta delegação olímpica, mas também de orgulho português, mas de orgulho português não xenófobo, não racista, não limitativo, mas abrangente. É essa a riqueza de Portugal, temos é de fazer avançar esta riqueza noutros domínios onde tem sido mais difícil fazer chegar ao topo aqueles que vêm de origens diversas daquelas que muitas vezes são consideradas como as únicas verdadeiramente nacionais", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

"Uma forma de xenofobia, racismo e discriminação é, de uma maneira ou de outra, acharmos que bons são só os brancos e os nacionais de origem, e não aqueles que têm outras origens, tendo nascido ou não em território nacional", criticou também o chefe de Estado.

O Presidente da República reforçou ainda que a "riqueza" de Portugal deve residir numa "sociedade aberta, inclusiva e não propriamente intolerante e que perde muito tempo com tricas de segunda ordem".

Portugal contabiliza quatro medalhas, uma de ouro, de Pedro Pichardo, no triplo salto, uma de prata, de Patrícia Mamona, igualmente no triplo, e o bronze do judoca Jorge Fonseca (-100 kg) e do canoísta Fernando Pimenta (K1 1.000 metros).

Com as quatro medalhas, Portugal superou os resultados alcançados em Los Angeles 1984 e Atenas 2004, edições em que subiu três vezes ao pódio, passando a totalizar 28 medalhas em Jogos Olímpicos (cinco de ouro, nove de prata e 14 de bronze), 12 das quais no atletismo, modalidade que proporcionou também os cinco títulos olímpicos.

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