Marcelo sobre a democracia: "É como respirar, só se sente quão importante é quando se perde"

No dia em que Portugal passa a viver mais dias em democracia do que em ditadura, o Presidente da República sublinha os ganhos: "Abriu-nos as portas do mundo."

Quando se assinalam os 17.500 dias de democracia, Marcelo Rebelo de Sousa sublinha, na TSF, que "grande ganho da democracia é existir com todos os seus defeitos."

"Eu acho que o grande ganho da democracia foi haver democracia. A democracia é daquelas realidades que é como respirar: só se sente como é importante quando se perde", afirma o Presidente da República lembrando que "as democracias são sempre imperfeitas, as ditaduras é que se acham sempre perfeitas, mas não são" e só passam por "perfeitas" até ao momento "em que verdadeiramente se verifica que não eram perfeitas, nem para o ditador, nem para o grupo que liderava a ditadura."

No retrato tirado por Marcelo Rebelo de Sousa, "Portugal continuava, nos anos 60 e no começo dos anos 70, um país longe do mundo," reprimido e fechado sobre si próprio.

"Quem, como é o caso de muitos jovens, nasceu depois da democracia não tem a noção exata do que era censura, do que era repressão, do que era a proibição de tudo, mas tudo rigorosamente."

"Não eram só partidos, eram cooperativas, eram cineclubes, eram associações estudantis. E o que era um clima fechado em que, mesmo depois de haver turismo e depois de haver televisão, Portugal continuava nos anos 60 e no começo dos anos 70 um país longe do mundo," lembra o Presidente para quem "a democracia abriu-nos as portas do mundo."

"A nossa democracia permitiu-nos, além do mais, abrir ao mundo de língua portuguesa, depois de tantos anos de colonização, integrar a Europa, estabelecer ligações com outros continentes, nomeadamente, com o mundo ibero-americano, manter alterar o tipo de relações que tínhamos com a Ásia e tudo isso com uma circulação que já abarca muitos muitos, muitos milhares de pessoas em programas de intercâmbio em problemas culturais e em programas académicos."

Para Marcelo Rebelo de Sousa, os anos de democracia deram também "outro significado" à imigração.

"Há uma emigração em ditadura e uma emigração em democracia," sublinha o Presidente, reconhecendo que a imigração em democracia não deixa de ser dolorosa económica e socialmente" não já não tem o "lado "chocante dos bidonville" (os bairros degradados onde habitavam os emigrantes portugueses, em França) e de "outras coisas horríveis por que passaram os novos imigrantes há sessenta anos."

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