Marisa Matias concorda com escolas abertas, mas critica atrasos nos rastreios

Candidata do Bloco de Esquerda defende que para manter as escolas em funcionamento é necessário "fazer um grande plano de rastreio".

A candidata presidencial apoiada pelo BE, Marisa Matias, concorda com a importância e de as escolas funcionarem, mas critica os atrasos na implementação do "grande plano de rastreio" da covid-19 aos profissionais da Educação, já discutido no parlamento.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou na quarta-feira que as escolas vão manter-se abertas e "em pleno funcionamento", apesar do novo confinamento que entra em vigor na sexta-feira, adiantando que estes estabelecimentos de ensino vão ter uma "campanha permanente" de testes antigénio para despistar casos de infeção de covid-19.

No arranque do quarto dia de campanha eleitoral, Marisa Matias visitou a Associação de Atividades Sociais do Bairro 2 de Maio, na zona da Ajuda, em Lisboa, tendo sido questionada pelos jornalistas sobre se concordava com esta decisão do Governo tomada na quarta-feira.

"As escolas são um dos elementos fundamentais na nossa sociedade, para garantir a igualdade e para diminuir também aquilo que são condições muitas vezes desiguais das próprias crianças. As crianças precisam de aprender, precisam de estar na escola, precisam de fazê-lo em condições iguais para todos e, de facto, as escolas têm esse papel de promotor da igualdade como mais nenhuma outra instituição provavelmente tem", defendeu.

O que a recandidata bloquista não compreende "é como é que ainda nem sequer a medida que foi discutida e proposta no parlamento foi posta em prática".

"Para o funcionamento das escolas precisamos de fazer um grande plano de rastreio, como foi proposto, a todos os profissionais, aos professores, aos profissionais das escolas e também aos alunos, mesmo que não seja a todos, pode-se fazer uma amostragem", defendeu.

Assim, Marisa Matias criticou que ainda não se tenha posto em prática este plano de rastreio, "que já foi discutido, que até já foi avançado no parlamento", reiterando a "importância central da escola".

Há quase um mês, a Assembleia da República aprovou um projeto de resolução do BE que recomenda a disponibilização de testes à covid-19 gratuitos para professores, trabalhadores não-docentes e alunos.

O texto foi aprovado apenas com os votos contra do PS, merecendo o apoio das restantes bancadas e deputados.

Dois dias antes da votação, em 16 de dezembro de 2020, no debate desta resolução e de uma petição da Federação Nacional de Professores (Fenprof), os partidos da oposição voltaram a alertar para problemas nas escolas acentuados pela pandemia da covid-19, criticando a falta de resposta do Governo, e defenderam a testagem da comunidade escolar.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro.

Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

A pandemia de covid-19 provocou 8.236 mortos em Portugal, dos 507.108 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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