Marques Mendes condena mensagens "perigosas" de Ivo Rosa e "erro capital" do Ministério Público

A decisão instrutória sobre o processo Operação Marquês passa uma imagem de "impunidade", considera o comentador.

Luís Marques Mendes considera "perigosas" as consequências na opinião pública da decisão do juiz de instrução Ivo Rosa, que reduziu os 31 crimes de que o ex-primeiro-ministro José Sócrates estava acusado a seis (três de branqueamento e três de falsificação de documentos).

"Acho que há mensagens muito perigosas e preocupantes" que transparecem na decisão instrutória sobre o processo Operação Marquês, aponta o ex-líder do PSD no seu habitual comentário semanal na SIC, este domingo à noite.

"A primeira ideia que passa para o exterior é a de impunidade, ou seja, os fortes e poderosos se safam-se sempre, seja na política seja nos negócios".

"Justa ou injustamente", os cidadãos acabam por fazer este raciocínio porque o juiz Ivo Rosa admitiu que "houve corrupção, houve corruptos, há circulação de milhões de euros de forma obscura e fraudulenta, mas não vai ninguém a julgamento", o que é difícil de compreender por todos. Por isso, "a confiança das pessoas na justiça fica abalada".

Por outro lado, "o Ministério Púbico também não sai bem" na fotografia, tendo sido duramente criticado pelo juiz Ivo Rosa na leitura do despacho da decisão instrutória sobre o processo Operação Marquês, na última sexta-feira.

Na opinião de Marque Mendes, o Ministério Púbico cometeu um "erro capital": juntar todas as acusações contra José Sócrates num megaprocesso, que "não dá eficácia nenhuma".

"Podiam ser três processos e mesmo assim eram grandes: um para o caso do Vale do Lobo, outro sobre o caso do BES com a PT e outro sobre o caso do grupo Lena", defende o comentador.

O Ministério Público só prefere megaprocessos porque têm "mais impacto mediático" - que "adora" - mas o mediatismo do processo não é necessariamente sinónimo de "maior eficácia no combate à corrupção", lembra.

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