Ministério da Saúde vai avaliar denúncias da Ordem dos Enfermeiros

A ordem denunciou que enfermeiros infetados no trabalho estão a ser confrontados com cortes salariais.

O Ministério da Saúde vai "avaliar e analisar" se há fundamentação para a denúncia feita esta sexta-feira pela Ordem dos Enfermeiros (OE) de que profissionais infetados no trabalho com Covid-19 estão a ser confrontados com "cortes significativos" de rendimento.

"Iremos avaliar e analisar, perceber junto das respetivas Administrações Regionais de Saúde se há alguma fundamentação e corrigir", disse o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, que falava aos jornalistas na conferência de imprensa diária de balanço sobre a pandemia de Covid-19 em Portugal.

A OE denunciou que enfermeiros que foram infetados no trabalho com Covid-19 estão a ser confrontados com "cortes significativos" ou mesmo ausência de vencimento, exigindo "medidas urgentes" ao Governo.

Em comunicado, esta estrutura diz que foi confrontada, nas últimas 24 horas, "com uma situação inadmissível, que não pode deixar de repudiar e denunciar, exigindo medidas urgentes ao Ministério da Saúde e ao Ministério do Trabalho".

"Enfermeiros de todo o país, que foram infetados com a Covid-19 no exercício de funções, foram confrontados com a ausência de remuneração ou cortes significativos", adianta.

António Lacerda Sales disse que "não ter conhecimento dessa situação", mas sublinhou que após a apurar, se vier a justificar-se, será corrigida.

A Ordem dos Enfermeiros diz ter recebido exposições de vários enfermeiros que, testando positivo há mais de 50 dias, não têm qualquer fonte de rendimento ou de proteção e dá como exemplo um casal de enfermeiros que, cada um, recebeu este mês apenas 60 euros de remuneração, referentes a horas realizadas em meses anteriores.

"Está em causa a sobrevivência da nossa única linha de defesa, aqueles que cuidam da vida de todos nós. É desumano, vergonhoso e inaceitável", afirma o vice-presidente da OE, Luís Barreira, no comunicado.

Portugal contabiliza 1.289 mortos associados à Covid-19 em 30.200 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 12 mortos (+0,9%) e mais 288 casos de infeção (+1%).

O número de pessoas hospitalizadas baixou de 608 para 576, das quais 84 em unidades de cuidados intensivos (menos oito).

A DGS assinala também que o número de doentes recuperados passou de 6.452 para 7.590 (+1.138).

Portugal entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.