Moção de censura ao Governo é debatida e votada na quarta-feira. PSD abstém-se

A moção tem rejeição garantida, com os votos contra da maioria absoluta do PS. O Chega será o único partido a votar a favor.

A moção de censura do Chega ao Governo vai ser debatida e votada na quarta-feira, às 15h00. O partido de André Ventura apresentou a moção depois da polémica com o novo aeroporto de Lisboa, e a crise na saúde, mas vai ficar sozinho a votar a favor.

Os líderes parlamentares estiveram reunidos em conferência de líderes para decidir a data do debate, que vai contar com a presença do primeiro-ministro. Numa nota enviada aos jornalistas, o PSD informa que vai abster-se, "na sequência da deliberação tomada hoje pela Comissão Permanente Nacional, remetida à Direção do Grupo Parlamentar".

A Iniciativa Liberal (IL) segue o mesmo caminho do PSD, com a abstenção, já o PCP e o Bloco de Esquerda vão votar contra, com os comunistas a criticarem o Chega: "Utiliza os problemas reais não com o objetivo de dar resposta aos trabalhadores e às populações, mas com projetos e políticas que só contribuem para os agravar".

Ventura diz que PSD "não é coerente"

No final da conferência de líderes, André Ventura voltou a apelar ao PSD para que votasse a favor, mostrando que pode ser alternativa ao Governo, depois de um congresso onde Luís Montenegro deixou várias críticas à gestão socialista.

"Depois daquilo que ouvimos no congresso, de crítica reiterada, mas sobretudo que o ministro das Infraestruturas tinha que ser demitido, ficamos com a convicção de que o PSD acompanhará a moção de censura", diz.

Ventura acrescenta que Luís Montenegro "não será coerente", depois das críticas ao Governo, se não der indicação aos deputados do PSD para que votem a favor, "dando um primeiro sinal de que somos capazes de construir uma alternativa", numa referência a uma possível coligação entre os social-democratas e o Chega.

Já a IL vai abster-se na votação, apesar dos apelos de André Ventura para que se juntassem ao Chega. O líder parlamentar liberal, Rodrigo Saraiva, disse mesmo que a moção "é inconsequente".

"O Chega está muito preocupado com a mudança de pessoas, como se a mudança mudasse alguma coisa. Chegaram a dizer que se o primeiro-ministro demitisse a ministra da Saúde e o ministro das Infraestruturas, retiravam a moção de censura, e a IL está muito mais preocupada com as políticas", aponta.

Rodrigo Saraiva lembra ainda que o Executivo está em funções apenas há três meses, apesar dos "vários motivos que já temos para criticar o Governo", mas a moção será apenas "foguetório e uma corrida de cem metros a que o Chega já nos tem habituado".

Com a moção de censura, a Assembleia da República vê-se obrigada a alterar as datas dos debates que já estavam na agenda. O debate potestativo do PCP, numa interpelação ao Governo, estava inicialmente marcado para dia 6 de julho e passa para o dia seguinte.

A discussão do Chega sobre os direitos das crianças e a ida da ministra do Trabalho e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, ao Parlamento ficam adiadas sem data marcada.

Notícia atualizada às 16h20

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