Moção de confiança aprovada. Rodrigues dos Santos resiste na liderança do CDS

O Conselho Nacional do CDS aprovou a moção de confiança à atual direção com 54 por cento dos votos.

Francisco Rodrigues dos Santos recebeu um voto de confiança do Conselho Nacional dos CDS, depois da aprovação da moção de confiança que colocou a discussão. O presidente centrista alcançou 144 votos a favor, 113 votos contra e oito abstenções.

Após 16 horas de trabalhos, os conselheiros, através de voto secreto, deram um novo balão de oxigénio à atual direção do CDS, apesar da oposição interna liderada por Adolfo Mesquita Nunes.

Num "discurso de vitória", Francisco Rodrigues dos Santos garantiu que saberá ler as críticas que ouviu ao longo do Conselho Nacional. "Estou certo de que muito há a melhorar, a construir e a trabalhar. Quero fazer um apelo para que saibamos afirmar as propostas políticas do CDS, servindo os cidadãos."

O líder centrista diz que Portugal precisa de uma alternativa de centro direita, reformista e com rasgo de futuro, apontando o caminho aos centristas: "Não é o CDS que está em crise, é o país. Com um Governo incompetente e incapaz de derrotar a pandemia".

Rodrigues dos Santos deixou ainda um recado aos críticos, "apelando a paz interna", reforçando o convite a Mesquita Nunes para contribuir com a atual direção para o futuro do partido.

"Esta direção merece a confiança do próprio partido, para mais tarde merecer a confiança dos portugueses. Vamos renovar o CDS, e dar a voz a Portugal", conclui.

Mesquita Nunes também já reagiu aos resultados, lembrando que alertou o partido para uma crise de sobrevivência, mas garantindo que vai respeitar a decisão do órgão do partido.

"O Conselho Nacional entendeu de forma distinta. Está no seu mais legítimo direito. Como é evidente, respeito o resultado, assim como a avaliação positiva que o Conselho Nacional faz desta direção e da sua estratégia", escreveu nas redes sociais.

Acabaram de ser anunciados os resultados da votação da moção de confiança apresentada pelo Presidente do Partido. Com...

Publicado por Adolfo Mesquita Nunes em Sábado, 6 de fevereiro de 2021

Polémica com voto secreto e críticas ao passado. Conselho Nacional terminou de madrugada

Francisco Rodrigues dos Santos recordou, ao longo do sábado, que há pouco mais de um ano foi eleito presidente pelos centristas, mostrando-se confiante na aprovação da moção de confiança à direção, que se verificou.

"Eu tenho legitimidade, ao contrário do que disse o João Almeida. Fui eleito pelos militantes em congresso. Essa não a pedi, não a comprei, não fui requerer a nenhum padrinho. Foi-me dada pelos militantes do CDS", aponta.

O líder centrista lembrou que assumiu a presidência depois do pior resultado eleitoral do CDS, não virando as costas ao partido.

"O CDS precisa de uma estrutura saudável, unida e forte. Fui eleito líder do CDS há pouco mais de um ano, não abandonei o meu partido depois do pior resultado da sua história. Não disse que a minha liderança era naquele timing ou já não estaria disponível para liderar o partido", disse, numa clara crítica a Adolfo Mesquita Nunes.

"Fui escolhido pelas bases do CDS, por gente humilde e anónima, ignorada pela mesma cúpula do partido que beneficiou destas bases para satisfazer as suas ambições. Provou-se que nunca fui visto pela cúpula do partido como presidente legítimo. O facto de estarmos reunidos hoje ilustra bem este ponto. A vontade dos militantes que me elegeram por dois anos foi olimpicamente ignorada por uma pequena parte do partido que me quer derrubar", afirmou.

Chicão abre portas a congresso após autárquicas

Rodrigues dos Santos mostrou-se disponível para discutir a liderança do partido após as eleições autárquicas, se os militantes assim entenderem.

"Se, a seguir às eleições autárquicas, estiverem na disposição de ponderar a realização de um congresso, saibam que não me oporei a que essa discussão tenha lugar. O apelo que deixo hoje é firme e genuíno: que não demos um péssimo exemplo ao país e que respeitemos o trabalho de quem se tem entregado de corpo e alma ao partido em cada concelho do nosso país."

Adolfo Mesquita Nunes pediu, num artigo de opinião, uma mudança de rumo no CDS. O antigo vice-presidente do partido já confirmou que será candidato à liderança do partido caso seja marcado um congresso antecipado. No discurso, perante os conselheiros, o antigo vice-presidente de Assunção Cristas pediu um congresso extraordinário, para uma mudança de direção imediata.

No texto, Mesquita Nunes assumiu que todos perdem se o CDS desaparecer, mas para que não aconteça, são precisos "novos protagonistas a quem o país reconheça competência e ambição".

Vários elementos da direção liderada por Rodrigues dos Santos, incluindo o vice-presidente Filipe Lobo d'Ávila, apresentaram a demissão.

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