"Não está a aproveitar a oportunidade." Iniciativa Liberal vê Governo sem empenho na aplicação do PRR

Cotrim de Figueiredo sublinhou que, "este Governo, mais uma vez, não está a aproveitar a oportunidade e não está a comunicar da forma certa", havendo "muito poucos" portugueses com a "noção de que este plano pode ser a derradeira oportunidade de mudar de vida".

O presidente da Iniciativa Liberal (IL) apelou esta quarta-feira à mobilização dos portugueses, sobretudo no setor privado, para se aproveitar a "oportunidade de mudar o modelo de desenvolvimento" do país com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O deputado único João Cotrim de Figueiredo criticou o Executivo socialista por falta de "empenho e urgência" na aplicação dos fundos na economia, lamentando haver só 1250 milhões de euros dirigidos especificamente à recapitalização da iniciativa privada, através do Banco de Fomento, por exemplo.

"Este pode ser o momento em que Portugal tem oportunidade de mudar o modelo de desenvolvimento. Se não for aproveitado agora, se gerações futuras vierem perguntar por que em 2021 não fomos capazes de o fazer, um dos motivos poderá ser porque não levámos isto suficientemente a sério, com entusiasmo, energia e determinação para o implementar", disse, no Parlamento, após reunião com o Governo.

Segundo o dirigente liberal, há "muito poucos" portugueses com a "noção de que este plano pode ser a derradeira oportunidade de mudar de vida", considerando que o trabalho está atrasado e não se está a convocar "aqueles que verdadeiramente interessam - as famílias, pequenas empresas, médias empresas".

"A Iniciativa Liberal é exatamente o oposto, não conduz planos de desenvolvimento económico de cima para baixo, a dizer são estes setores, são aquelas ideias. É exatamente ao contrário: dar às pessoas, individualmente e às empresas, oportunidade. Não é um Estado todo-poderoso e omnisciente que vai dizer 'investe-se aqui' ou acolá, nem deve ser por Bruxelas dizer que é na digitalização ou economia verde que há oportunidades", continuou.

Cotrim de Figueiredo sublinhou que, "este Governo, mais uma vez, não está a aproveitar a oportunidade e não está a comunicar da forma certa".

"Vamos ter mais uma ajuda para uma montanha de dívida pública sem retorno desses investimentos. Investimentos públicos mais ou menos grandiosos como muito pouca análise de custo-benefício", condenou, embora elogiando a intenção governamental de apresentar, já em maio, um portal na Internet para escrutínio e fomento da transparência em relação aos investimentos apoiados pelo PRR.

O ministro do Planeamento, Nelson de Souza, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, e o secretário de Estado do Planeamento, Ricardo Pinheiro, estão a reunir-se desde terça-feira com os partidos com representação parlamentar e as deputadas não inscritas sobre o PRR e "as alterações decorrentes do processo de consulta pública".

O PRR, para aceder às verbas comunitárias de recuperação da crise provocada pela pandemia de Covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

O executivo socialista tem justificado que, "com base no diagnóstico de necessidades e dos desafios", foram definidas três "dimensões estruturantes" de aposta: a da resiliência, da transição climática e da transição digital.

No documento estão também previstos 2,7 mil milhões de euros em empréstimos, mas fonte do Governo declarou que "ainda não está assegurado" o recurso para esta vertente do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o principal instrumento do novo Fundo de Recuperação da União Europeia.

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