"Não há condições para revisão constitucional que permita adiamento das eleições"

No debate com todos os candidatos, Marcelo disse que nenhum partido mostrou disponibilidade para uma revisão constitucional.

Marcelo Rebelo de Sousa revela que colocou, novamente, a questão de um adiamento das eleições presidenciais aos partidos. O Presidente da República adiantou que nenhum mostrou disponibilidade para uma revisão constitucional, o que coloca de parte um adiamento do sufrágio.

"Chego à conclusão que não há condições para a Assembleia da República avançar para uma revisão que permitisse o adiamento", disse no debate com todos os candidatos a RTP.

No lugar do atual Presidente da República esteve um ecrã, para transmitir a ligação de Marcelo Rebelo de Sousa, a partir de casa.

Na segunda-feira, a Presidência da República comunicou que o chefe de Estado tinha tido um teste positivo de diagnóstico ao novo coronavírus, mas estava assintomático, e cancelou toda a sua agenda para os próximos dias.

O Presidente da República fez quatro testes para apurar a presença do SARS-CoV-2 (um antigénio e três PCR). Apenas um dos testes teve resultado positivo.

"Quando há vontade política, existem soluções"

Questionada sobre a data das presidenciais, Ana Gomes explicou que não pediu o adiamento das eleições, mas sugeriu à Assembleia da República e ao Presidente da República que ponderem adiar o sufrágio.

"Eu não desejo o adiamento das eleições, mas acho que deve ser ponderado. Quando há vontade política, há sempre soluções. Trata-se de valorizar o esclarecimento dos portugueses e das portuguesas: vale a pena fazer campanha", esclareceu.

A candidata lembra que há novos dados, depois da reunião no Infarmed, que apontam para mais de catorze mil casos por dia.

André Ventura assume que o contexto é o pior para as eleições presidenciais, porém, lembra que "do ponto de vista técnico não é possível" alterar a data. Já Tiago Mayan Gonçalves acusa o Governo de ter colocado o país "num ponto de não retorno" quanto ao adiamento eleitoral.

O candidato apoiado pelo PCP, João Ferreira, apela o Governo que "crie as medidas necessárias para que as pessoas se sintam seguras" no momento do voto.

Marisa Matias recorda que "ninguém tem o papel" de desvalorizar a democracia, e de impedir as pessoas de votar. Focando o mesmo ponto, Vitorino Silva assume que teria "vergonha" de tomar posse com menos de 50 por cento dos portugueses a votar.

Marcelo defende mais investimento na saúde

Sobre o investimento na saúde, Marcelo Rebelo de Sousa defende que o Orçamento do Estado deve disponibilizar uma verba maior para o setor, lembrando que o documento para 2021 já prevê um reforço.

O chefe de Estado nota que o "centro é o Serviço Nacional de Saúde", mas também o setor privado deve ser solicitado para dar resposta à pandemia. "O Estado já pode recorrer aos privados com recurso a indemnização, ou seja, pagar exatamente o que custaria no SNS. Não é pagar mais", diz, lembrando os vários decretos que promulgam o estado de emergência.

Ana Gomes, no entanto, criticou Marcelo Rebelo de Sousa por ter chamado os hospitais privados para audiências em Belém, quando o Governo negociava com o setor. "Criou pressão adicional", aponta.

"Afetos de Marcelo estão mal distribuídos"

João Ferreira lembrou os protestos em Matosinhos, levados a cabo pelos trabalhadores da refinaria da Galp, que têm os postos de trabalho em risco.

O candidato do PCP diz que Marcelo Rebelo de Sousa devia ter tido uma palavra de afeto com os trabalhadores da refinaria, e atira: "Afetos de Marcelo são como a riqueza nacional. Existem mas estão mal distribuídos".

Também Ana Gomes apontou aos afetos do Presidente, e garantiu que o segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, a confirmar-se, "vai ser muito diferente do primeiro". "Devo dizer que o Presidente é muito simpático, mas muda muito. Não tenhamos ilusões, se for reeleito, iria trabalhar para trazer a sua direita de volta."

Já André Ventura tem uma visão contrária e diz que ninguém de direita colocara a "cruzinha" em Marcelo Rebelo de Sousa, e lembrou o apoio do PS. "O Presidente da República tem o apoio do PS e compreende-se", assume.

"Ninguém saiu defraudado com mandato", garante Marcelo

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa reforça que nunca deu primazia à esquerda ou à direita, e lembra que o papel do Presidente da República é criar forças de equilíbrio.

"O sistema, para não ficar coxo, precisa de uma direita forte e de uma esquerda forte", aponta, justificando que um bom Governo necessita de uma boa oposição. Marcelo recorda que o seu mandato foi marcado por "várias crises" e que ninguém "saiu defraudado".

"Tudo isto aconselhava um poder que não fosse de fação: que não dividisse, que unisse", explica.

A maior parte dos candidatos, que contactou com Marcelo Rebelo de Sousa durante a última semana nos debates que decorreram nas RTP, SIC e TVI, cancelou as ações de campanha de terça-feira e optou pelo isolamento profilático preventivo.

O debate entre os sete candidatos a Belém decorre no Pátio da Galé, em Lisboa. Marcelo Rebelo de Sousa é o único a participar virtualmente.

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