"Não há nada de que tenha mais medo" do que ter de anunciar a morte de um militar em missão

O ministro da Defesa foi confrontado com questões relacionadas com a presença de Portugal em missões internacionais, em entrevista à TSF.

João Gomes Cravinho não teve de o fazer no tempo (cerca de um ano) que leva como titular da Defesa nacional. Admite que "enquanto ministro da Defesa não há nada que eu tenha mais medo do que ter de desempenhar essa tarefa, é inerente ao cargo, é uma responsabilidade grande, como é uma responsabilidade grande enviar tropas para um qualquer teatro de operações, para qualquer local onde haja risco de conflito. E portanto, isto significa que as decisões nessa matéria têm de ser decisões muito ponderadas e pensadas, com um planeamento muito saturado e também com o devido consenso político".

Na entrevista ao programa O Estado do Sítio da TSF, emitidos aos sábados depois das 12h00 e domingos depois da 01h00, o ministro da Defesa foi confrontado com questões relacionadas com a presença de Portugal em missões internacionais. A República Centro-Africana (RCA) é, para muitos, um estado falhado. A TSF perguntou ao Ministro da Defesa porque é que lá estão cerca de duzentos militares portugueses: "porque nós não podemos permitir que haja - em qualquer parte do mundo mas sobretudo em zonas que não estão muito longe da Europa - um território desgovernado, onde possam viverem sem serem incomodados traficantes de drogas, armas, bem como terroristas, etc.".

Os militares portugueses, afirma o governante, "são a centena e meia que se destacam", numa missão com cerca de onze mil. Cravinho recorda que "ainda há dias, a ministra da RCA afirmou que basta haver a notícia de que os portugueses chegaram, para os bandidos armados dispersarem e, obviamente, (os militares da força nacional destacada) "quando há a necessidade de utilizarem a sua capacidade, utilizam-na".

Garantir a segurança longe das fronteiras para que a insegurança não se aproxime. Isso quer dizer que um dia destes, vamos ter tropas portuguesas num país bem mais perto das nossas fronteiras, a Líbia? "Ora bem... já existe no espaço do Sahel uma intervenção militar europeia bastante significativa, quer seja no Mali, quer seja noutros países do Sahel, sobretudo por intermédio da França mas também de alguns outros países. Nós Portugal, não temos meios para estar em todo o lado, portanto estamos com alguma concentração na República Centro-Africana, a desempenhar um papel que é fundamental para a estabilização daquele país e para a estruturação de um estado que possa exercer a sua soberania de modo a não criar uma zona de contágio como temos visto em várias partes do mundo, como aconteceu de forma muito visível no Afeganistão antes dos ataques terroristas às Torres Gémeas que inauguraram esta nova era em que vivemos".

Portugal participa em missões internacionais continuamente desde janeiro de 1996. Participando na missão da IFOR (Força de Implementação da Paz) na Bósnia Herzegovina, o 2º BIAT (Batalhão de Infantaria Aerotransportada) foi de São Jacinto (Aveiro) para o território sérvio-bósnio (Rogatica, Kukavice, Ustipraca, Praca, além de um Destacamento de Apoio e Serviços em Sarajevo, capital do país então saído da guerra um mês antes) Na opinião do Ministro da Defesa, a experiência internacional mudou as forças armadas: "Eu atrever-me-ia a dizer que é quase umas Forças Armadas (FA) diferentes". Para o ministro da Defesa, "comparadas com as que existiam em meados dos anos noventa, são incomparavelmente melhores, têm um prestígio e reconhecimento internacionais muito superiores àquele que poderiam ter nessa altura".

Portugueses, militares, procuram-se! João Gomes Cravinho afirma que "a procura internacional pela participação de forças portuguesas é grande, é superior àquilo que nós podemos dar porque os nossos recursos não são ilimitados, mas mostra que Portugal soube evoluir com as suas forças armadas para uma situação em que é hoje um contribuinte significativo para a paz e estabilidade internacionais".

N"O Estado do Sítio desta semana, com versão alargada aqui em TSF.pt e em podcast, destaque também para o impasse na formação do governo em Espanha, com a convocação de eleições pelo Rei Filipe VI, como nos conta a correspondente Joana Rei e explica o professor de Relações Internacionais do ISCSP (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas) Marcos Farias Ferreira, para o momento do Brexit, a falta de governo também em Israel. Também não esquecemos a antecipação da Cimeira da Ação Climática, a partir deste fim de semana em Nova Iorque.

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