"Não há nenhuma remodelação de Governo que resulte das autárquicas"

António Costa afasta qualquer alteração no Governo, após as autárquicas, e garante não querer colocar uma crise política em cima de uma crise económica.

O primeiro-ministro respondeu, nesta terça-feira, confrontado com a possível alteração na equipa do Executivo, após os resultados eleitorais revelados no domingo. António Costa argumentou que a única remodelação determinada pelas autárquicas é a dos autarcas. "Não há nenhuma remodelação de Governo que resulte das autárquicas."

Tal como já tinha frisado em julho, o líder do Governo vincou que a Tutela permanecerá inalterada. "Julgava que a questão da remodelação do Governo tinha ficado esclarecida e ultrapassada em julho. Não está nenhuma remodelação prevista. A única remodelação que as eleições autárquicas determinaram é a remodelação dos autarcas", respondeu.

Nesta questão, o líder do Executivo reforçou "que não há nenhuma remodelação do Governo em resultado de eleições autárquicas".

Minutos depois, no entanto, ainda em resposta a questões dos jornalistas, António Costa foi interrogado se não poderia fazer "um refrescamento" do seu Executivo. O primeiro-ministro disse então o seguinte: "Naturalmente, o outono vai começar a arrefecer o clima."

"O inverno arrefecerá um pouco mais o clima. E quando o tempo arrefece todos nos refrescamos. Mas, para já, concentremo-nos no que é essencial: no que me diz respeito, é no dia 11 de outubro ter de apresentar na Assembleia da República uma proposta de Orçamento do Estado para 2022", declarou.

António Costa afirmou esperar que essa proposta de Orçamento, tal como as anteriores, tenha condições para ser aprovada. "Um Orçamento que sirva o país e o esforço de recuperação económica. É para isso que temos de trabalhar e vamos continuar a trabalhar", acrescentou.

Costa diz que nunca qualquer parceiro seguiu lógicas autárquicas no debate do Orçamento. O que interessa é ter um bom documento orçamental, garante o governante. "O país tem de estar focado em executar o Orçamento e em aproveitar a extraordinária oportunidade dos fundos europeus." António Costa diz que não se trata apenas de repor o que se perdeu nesta crise, tem de se ir além, contando com as verbas do Portugal 2020, com as verbas do Portugal 2030 e o PRR.

Já relativamente às declarações de Marcelo, pedindo que não haja fraturas políticas neste momento, Costa acompanha o chefe de Estado. "O desejo do senhor Presidente da República é partilhado por mim e pela esmagadora maioria dos portugueses. Quem é que quer uma crise política durante esta crise económica?"

Questionado pelos jornalistas sobre a autarquia de Lisboa, Costa desejou sucessos a Carlos Moedas e frisou que o secretário-geral do PS não se interpõe nas configurações autárquicas. O líder socialista continua a dizer que as eleições marcaram uma vitória socialista. O resultado da votação dos portugueses é "inequívoco", mas a vontade dos lisboetas foi de "mudar"; "a democracia é mesmo assim", argumenta António Costa.

Após reunir-se com o vice-almirante Gouveia e Melo, o primeiro-ministro asseverou que a eventual dificuldade de chegar aos 85% da população vacinada, meta para a qual ficam a faltar algumas décimas, não atrasa os planos para o desconfinamento. "Não creio que se justifiquem novos adiamentos. Vamos manter o que planeámos para dia 1." É o que responde o primeiro-ministro, sobre a nova fase de desconfinamento que será iniciada em outubro. "É um passo importante para concluirmos este processo de reabertura. É ir andando e medindo, andando e medindo. Se houver retrocessos nesta pandemia, terá de haver retrocessos."

A DGS e a EMA deverão pronunciar-se esta semana sobre eventual terceira dose, mas Costa assegura que há condições técnicas para avançar, seja para os grupos de risco, seja para toda a população.

LEIA TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de