"Não há portugueses puros, como não há brasileiros puros"

Marcelo Rebelo de Sousa abriu a Bienal do Livro de São Paulo arrecadando aplausos da plateia ao considerar que resultamos todos de um cruzamento de culturas. Ainda sem se saber se irá encontrar-se com Bolsonaro, o Presidente foi aplaudido em São Paulo ao considerar que a saída da pobreza é feita através da cultura.

No palco do auditório Sesc Pinheiros, em São Paulo, a Orquestra Mundana Refugi mostra-se como um exemplo de integração: são músicos brasileiros a que se juntam outros da Síria, Guiné ou Irão, por exemplo, para formar uma harmonia musical que arrebatou quem escutava, Marcelo Rebelo de Sousa incluído.

Com sonoridades não só brasileiras, mas também africanas ou árabes, estes músicos inspiraram Marcelo para, no discurso de meia hora que fez, considerar que "não há portugueses puros, como não há brasileiros puros".

"Somos todos cruzamento de todos e temos honra em sermos cruzamento de todos. Isto é uma lição própria de sociedades cultas, avançadas, progressivas", diz Marcelo, arrancando aplausos de uma plateia que não se fartou de disparar gritos de "fora Bolsonaro".

E Marcelo conhecia a plateia que tinha à frente, afinal, tratava-se da abertura oficial da Bienal do Livro de São Paulo, cujo país convidado de honra é Portugal.

O Chefe de Estado puxou da história da vida e do amor aos livros que lhe foi incutido pelos pais e que se respeitavam precisamente pelos livros. "Em minha casa, minha mãe era de esquerda, assistente social, socialista. Meu pai era de direita, médico, salazarista. Tinham em comum uma coisa, liam livros, e isso fazia a diferença", recorda Marcelo, balançando entre o português europeu e o português do Brasil.

Sublinhando que nunca ficou satisfeito com o que fazia pelos livros e pela leitura, contou episódios que, desde tenra idade, mostravam que era muito mais do que uma paixão, era mesmo amor: "Fui educado para amar livros, vou amar livros até ao final da vida, vai ser uma das paixões da minha vida."

E é na cultura em geral e no livro em particular que Marcelo vê a solução para o desenvolvimento das sociedades. "Ler livro é enriquecer com cultura, é respeitar a tolerância, é cultivar a liberdade, é, mesmo em ditadura, admitir o pluralismo que deve corresponder a pensar diferente", destaca o Presidente da República para quem isso "faz a diferença entre as sociedades que avançam e as que não avançam".

"É a cultura, não é só a economia, não é só a finança, não é só o panorama social que é fundamental, para tudo isso é preciso que quem pertence, quem está condenado à pobreza, não condene a geração seguinte e a geração seguinte à seguinte", vinca Marcelo arrancando aplausos.

Nota o Chefe de Estado que "a melhor saída para a pobreza, a mais duradoura, a mais transformadora é a cultura" e, por isso, é preciso mais investimento. No caso de Portugal, Marcelo até lembrou que é necessário mais investimento, mais do que na edição, na tradução.

E a 12 horas de, alegadamente, arrancar para Brasília, como ainda restam dúvidas sobre se há ou não encontro com Bolsonaro, a orquestra não deixou passar em claro essa situação e frisou nos agradecimentos que, "com a Orquestra Mundana Refugi, o senhor será sempre bem recebido". Bem-vindo aqui, como foi no Rio de Janeiro, veremos se será em Brasília.

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