"Não nos podemos comportar como se tivéssemos maioria absoluta quando não temos"

Geringonça "não pode ser um parêntese". Pedro Nuno Santos avisa que "não é com agressividade" que o PS vai recuperar a "colaboração" dos partidos da esquerda: "Temos quem esteja preso a 1975".

Apresentado, pelo secretário-geral da Juventude Socialista como "o nosso Pedro Nuno" e como figura central da chamada "geringonça", o ministro das Infraestruturas e potencial candidato a líder do PS fechou um ciclo de formação política com uma intervenção sobre "Os desafios do socialismo democrático no século XXI".

Logo no início, Pedro Nuno Santos explicou que vinha dizer coisas que tem dito e que continuará "a repetir por muito tempo". Depois, insistiu na mensagem que tem deixado dentro e fora do PS: "Não nos podemos comportar como se tivéssemos a maioria absoluta quando não temos", avisou, defendendo que "é preciso saber respeitar [PCP e BE] quando não concordam".

Pedro Nuno Santos disse não se sentir "incomodado" por lhe chamarem "radical", lembrou que a palavra "Partido" vem seguida por "Socialista" e que "é com políticas de esquerda que se ganha o centro".

"Não é com agressividade que vamos conseguir recuperar a colaboração com outros partidos e esse é trabalho que temos de fazer se quisermos combater a direita", sublinhou o antigo pivot da chamada "geringonça".

"[O ano de] 2015 foi uma enorme revolução, quando conseguimos superar bloqueios e começámos a trabalhar, no ponto de vista nacional com PCP e BE", sublinhou o dirigente socialistas, avisando que essa "vitória muito importante não pode ser um parêntese"​​​​.

"Temos de nos habituar a trabalhar de forma mais perene com os partidos da esquerda, cooperar com a esquerda, para competir com a direita", defendeu Pedro Nuno Santos, considerando que "é preciso aprender com a história do PS" e que Mário Soares foi crítico da "terceira via".

"Infelizmente, nós também temos quem esteja preso a 1975, as lutas de hoje são de caráter diferente e o PCP e também o BE são elementos fundamentais", considerou o antigo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares.

Pedro Nuno Santos defendeu ainda que o PS tem de ter um discurso para "a maioria do povo" e que "nem sempre" o tem feito, criticando, por exemplo, a concentração em questões como as ligadas à comunidade LGBT, que não pertencem "à universalidade da política".

Considerou que será "um erro continuar a alargar o instrumento da condição de recursos a todas as políticas", explicando que "é difícil a direita e os liberais privatizarem a saúde pública, porque ela é de todos". O ministro socialista afirmou que "se tivéssemos um SNS só para os mais pobres, já estaria mais do que atacado e minguado".

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