"Não podemos adiantar dinheiro à Groundforce sem garantias." Nacionalização descartada

Ministro das Infraestruturas e Habitação deixou "uma palavra aos 2400 trabalhadores da Groundforce", que têm os salários de fevereiro em atraso.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, considera que a TAP chegou a um momento "em que é impossível continuar a expor-se à Groundforce sem exigir garantias que protegessem a própria TAP".

"Temos feito um trabalho importante para apoiar a Groundforce nos últimos meses", através do adiantamento de verbas por serviços ainda não prestados, mas "chegou um momento em que a TAP deixou de poder continuar a fazer adiantamentos", explicou Pedro Nuno Santos em conferência de imprensa, no Ministério das Infraestruturas e da Habitação.

Por isso, exigiu como garantia "as ações do acionista privado da Groundforce". A TAP tinha exigido que o pagamento da dívida fosse feito até ao dia 15 de março, data a partir da qual poderia "executar as ações".

O acionista privado não aceitou esta proposta e "exigiu que a garantia só pudesse ser executada depois de que um empréstimo bancário, que está a ser preparado nas Finanças, chegasse à empresa".

O Estado aceitou esta exigência "porque em nenhum momento quer ou está interessado em tomar o controlo da empresa", querendo sim "proteger a TAP e assegurar que o dinheiro que emprestou retorna" à companhia aérea.

"Achávamos que, fazendo esta cedência, pudéssemos desbloquear a situação", acautelando a situação da TAP, transferindo o dinheiro para a Groundforce e permitindo que os trabalhadores recebessem os seus salários.

Pedro Nuno Santos deixou também "uma palavra aos 2400 trabalhadores da Groundforce", que estão numa situação de "grande desafio" nas suas vidas, com os salários de fevereiro em atraso. Pediu-lhes que percebam o "grande esforço" da TAP e do Executivo para que os salários sejam pagos.

"Não podemos continuar a adiantar dinheiro sem garantias claras. O apelo que faço ao sócio maioritário da Groundforce é que aceite a condição que a TAP está a pedir porque, quando o empréstimo bancário chegar à Groundforce, pode pagar à TAP e a garantia deixa de existir", repetiu Pedro Nuno Santos.

A Pasogal, de Alfredo Casimiro, detém 50,1% da Groundforce e a TAP 49,9%.

Ministro "dá um desconto" ao tom usado pelo presidente da Groundforce

Pedro Nuno Santos "dá um desconto" ao presidente da Groundforce, Alfredo Casimiro, que esta quinta-feira à tarde acusou o ministro de "chantagem".

"Faço esse desconto porque obviamente compreendo a situação de desespero em que está o acionista privado da Groundforce. O tom da carta não é relevante para mim, pessoalmente", assinalou o governante, que diz que o que é importante "é fazer bem" o seu trabalho.

Durante a pandemia, o Governo "tomou uma decisão de intervenção pública na TAP e na EFACEC" em duas modalidades e "fê-lo porque entendeu que estas duas empresas tinham um interesse estratégico para a economia nacional".

"A Groundforce é uma empresa muito importante para a TAP, muito antiga, era da TAP e presta um serviço muito importante. Mas não tem o caráter estratégico para a economia nacional da TAP e da EFACEC, pelo que não podemos olhar para ela da mesma maneira", acrescentou o ministro das Infraestrutuas.

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