"Não viro costas ao país." Primeiro-ministro não se demite se OE2021 for chumbado

Confrontado com um cenário de hipotético chumbo do OE2021 no Parlamento, António Costa lembra que "as pessoas estão a sofrer" que não é aceitável uma crise política.

O primeiro-ministro António Costa garantiu, esta segunda-feira, que não vira as costas ao país "neste momento de crise" e deixou nas mãos de Bloco de Esquerda e PCP a decisão de se juntarem à direita "para chumbar este Orçamento".

Em entrevista à TVI, quando questionado sobre uma possível crise política se o Orçamento do Estado para 2021 for chumbado, o primeiro-ministro lembrou que "as pessoas estão a sofrer" e questionou: "Perante um cenário destes, alguém admite uma crise política?"

O líder do Governo deixou uma garantia: "Se há coisa para a qual não contribuirei nunca é para uma crise política no meio desta crise social. As pessoas estão a sofrer. Perante um cenário destes, alguém alguém admite uma crise política? Não viro as costas ao país neste momento de crise. Aquilo em que estamos concentrados é em responder à crise da pandemia."

Questionado sobre se há a hipótese de se demitir ou governar em duodécimos, o primeiro-ministro deixou essa decisão para a Assembleia da República.

Contar as cadeiras do Parlamento

Fazendo as contas ao cenário político, Costa lembrou que o PS, sozinho, tem mais 22 deputados que toda a direita junta no Parlamento.

"O Orçamento só chumba se o BE e o PCP somarem os seus votos aos da direita. A questão fundamental que se coloca é se o BE e o PCP querem ou não juntar-se à direita para chumbar este Orçamento", deixou no ar o primeiro-ministro.

Em relação à situação de impasse negocial entre o Governo e o Bloco de Esquerda e o PCP, o primeiro-ministro considerou que "todos reconhecem" que a proposta orçamental do executivo "não tem nenhum retrocesso quanto aos progressos alcançados desde 2015".

"Tem uma rutura clara com qualquer estratégia austeritária de resposta à crise, tem uma componente social e de preocupação com o rendimento das famílias e com a proteção do emprego muito forte. Portanto, tenho dificuldade em compreender como é que à esquerda haverá uma oposição global a este Orçamento", disse, aqui numa clara advertência a bloquistas e comunistas.

António Costa fez questão de salientar que as negociações com o Bloco de Esquerda, PCP e PAN "obviamente não estão fechadas" e afirmou ser legítimo que qualquer um destes partidos "procure ainda introduzir melhorias relativamente à proposta apresentada".

"Agora, uma discordância de fundo com toda a franqueza não compreenderia. Acho que, aliás, o país não compreenderia", reforçou.

Nestas negociações com os parceiros parlamentares de esquerda, o líder do executivo frisou que "têm obviamente um limite - e o limite é o razoável".

"O limite é quando a soma total da despesa e da receita tornar este Orçamento um diploma inexequível ou insuportável para o futuro, ou que subverta as prioridades. E as prioridades têm de ser claras: É a pandemia, é a proteção do emprego, é a proteção do rendimento", advertiu.

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