Nazismo e comunismo aquecem discussão no parlamento

Assembleia da República aprova voto de condenação do PS de todos os regimes totalitaristas e rejeita votos de Iniciativa Liberal, Chega, CDS e PCP. Debate aqueceu com acusações de bancada para bancada.

O tema prometia e confirmou-se. Tudo começa com uma resolução do Parlamento Europeu de condenação dos crimes praticados pelos regimes nazi e comunista, a discussão chegou hoje ao hemiciclo português com cinco votos em torno deste assunto, tendo sido aprovado apenas o voto socialista.

Telmo Correia, do CDS, começou por realçar que o primeiro voto em análise é do Iniciativa Liberal, mas que os próprios centristas se associavam à resolução aprovada no Parlamento Europeu, introdução que lhe valeu duras críticas das bancadas à esquerda.

O deputado centrista sublinhou que "não há regimes totalitários bons ou menos maus" lembrando os milhões de vítimas de regimes de figuras que vão de Hitler a Kim Jong Il passando por Mussolini, Estaline ou Mao Tsé-Tung. "Assassinos que merecem condenação", nota Telmo Correia.

Pela mesma bitola alinha o PSD na voz de Maló de Abreu. O social-democrata começou por notar que a aprovação no Parlamento Europeu da resolução em causa é, "acima de tudo, um contributo para que a história não seja esquecida".

Diz Maló de Abreu que "é fundamental que se consolidem no espaço europeu" as condições para que não renasçam ideologias e práticas de regimes como o nazi, fascista ou comunista. "Não é escondendo o passado que se enfrentam e resolvem os problemas do presente", destaca.

O ambiente aquece quando o líder parlamentar comunista intervém atirando-se à direita. João Oliveira acusa Iniciativa Liberal e Chega de serem "sucedâneos" de PSD e CDS, mas "mais reacionários e com conceções mais anti-democráticas".

"Torna-se cada vez mais claro que PSD e CDS estão a fazer a opção de cobrir por cima o caráter mais reacionário e mais reacionário desses seus sucedâneos", atira o comunista sublinhando que estes partidos o estão a fazer à boleia de uma "operação de branqueamento do fascismo e do nazismo, que é precisamente a equiparação entre nazismo e fascismo àqueles que lhe deram o combate mais firme".

Pelo Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares nota que o partido não está disposto a "reescrever a história" e foca-se no ataque aos centristas. "Telmo Correia começou por reconhecer que quem guia o CDS é a Iniciativa Liberal", começa por dizer o líder parlamentar bloquista, realçando ainda: "Pobrezinho CDS, o que foi e o que é".

Pedro Filipe Soares vai mais longe dizendo que ao partido "nunca faltou a voz para condenar atropelos aos direitos humanos", lembrando que tal não aconteceu com o CDS na "situação de Angola".

Já na bancada socialista, Constança Urbano de Sousa notou que o PS "optou por apresentar voto próprio sobre esta matéria a condenar todos os regimes totalitários, independentemente da sua natureza". No entanto, a socialista nota que é dever dos parlamentares "não entrar em equiparações simplistas e, sobretudo, equiparações que possam entrar num revisionismo histórico qualquer". Nota a antiga ministra que não esquecendo outros regimes, não é possível "escamotear a natureza do nazismo".

Debate que deu pano para mangas num plenário que viu aprovados ainda, mas com alguma discussão, os votos de solidariedade para com as agressões aos bombeiros de Borba e também os portugueses assassinados na Venezuela.

Dos projetos de resolução e propostas de lei que estiveram em debate, destaque para a rejeição das propostas relativas à progressão remuneratória dos professores do ensino superior e a aprovação de projetos relativos ao pinhal de Leiria, pessoas com doença inflamatória dos intestinos e a sesta das crianças no pré-escolar.

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