Noite de silêncio sepulcral marca fim da era Cristas

Líder do CDS convoca Conselho Nacional do partido para a marcação de um congresso extraordinário e anuncia que "não será recandidata". Centristas assumem resultado "com humildade democrática".

Rostos fechados. Olhares marejados. Cúpula do partido incrédulo. Passavam dois minutos das nove da noite, quando Assunção Cristas entrou na sala para anunciar que tinha decidido convocar o Conselho Nacional do Partido, para a realização de um congresso extraordinário, e que não se vai recandidatar.

Num discurso curto, de cerca de um minuto e quarenta, a presidente centrista assumiu a derrota "com humildade democrática", felicitou António Costa pela vitória, desejando-lhe "sucesso na condução dos destinos do país" e anunciou que não será novamente candidata a líder do CDS.

"Tomei a decisão de não me recandidatar", afirmou Cristas, que desceu do palco, sem responder a perguntas dos jornalistas, não esclarecendo sequer se assumiria o lugar de deputada, caso fosse eleita. Com ela saíram os elementos da cúpula centrista que passaram a noite eleitoral a analisar os resultados no segundo andar da sede do CDS, no Largo do Caldas, entre os quais Nuno Magalhães, Ana Rita Bessa, João Gonçalves Pereira, Pedro Mota Soares e Telmo Correia.

Numa noite eleitoral atípica na sede do CDS, ao púlpito só subiram Diogo Feio, vogal da Comissão Política, para reagir aos números da abstenção pouco depois das sete da tarde, e, duas horas depois, Assunção Cristas para anunciar que deixará a liderança, altura em que as poucas dezenas de militantes que estavam no edifício decidiram entrar na sala onde os repórteres aguardavam. Às 20h, apenas dois militantes do CDS assistiam na sala à divulgação das projeções, através do ecrã de televisão. Sempre em silêncio.

Apesar de ser uma noite amena de início de Outono, o ambiente permaneceu ainda mais gelado do que no desaire das eleições Europeias, em maio. Sorridente e acompanhada pelo marido, a líder do CDS foi a primeira a abandonar o edifício. Eram nove e meia da noite quando saíram juntos pela porta principal do "Caldas" e, dirigindo-se à viatura particular, Assunção Cristas limitou-se a dizer aos jornalistas: "boa noite e bom descanso". "E agora deixem-me descansar a mim também", rematou a sucessora de Paulo Portas.

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