Novo aeroporto. Montenegro diz que Costa "foi fraco" e tem "dignidade ferida"

Social-democrata aproveitou a primeira intervenção no congresso para atacar a liderança do governo de António Costa, mas não fechou a porta ao diálogo prometido sobre a solução para o aeroporto.

O presidente eleito do PSD, Luís Montenegro, admitiu esta sexta-feira falar com o primeiro-ministro, António Costa, sobre a futura solução aeroportuária para a região de Lisboa, mas rejeitou chantagens e deixou desde já um ataque ao chefe do Governo: foi "fraco" e tem a "dignidade ferida".

Na sua primeira intervenção no 40.º Congresso Nacional do PSD, que decorre até domingo no pavilhão Rosa Mora, no Porto, Luís Montenegro partiu para o ataque ao primeiro-ministro recordando um episódio com já alguns anos na política portuguesa.

Montenegro começou por referir que um ministro já foi demitido por comentários nas redes sociais, algo que aconteceu com João Soares, então ministro da Cultura, e que, nessa altura, Costa lembrou aos membros do seu Governo que "fossem sérios mesmo à mesa do café".

"Percebe-se agora que os ministros têm de ser sérios à mesa do café, mas não com o que enviam para Diário da República", atirou de seguida, referindo-se ao polémico despacho do Ministério das Infraestruturas sobre o novo aeroporto de Lisboa.

Pedro Nuno Santos, agora em questão, "meteu as pernas a tremer a alguém", não a "um credor, mas ao primeiro-ministro", pelo que Montenegro defende que "não há razão para o ministro das Infraestruturas se manter no cargo".

Perante o desenrolar dos acontecimentos desta quinta-feira - com a permanência de Pedro Nuno Santos no Governo - o agora líder do PSD acusa Costa de ser "fraco" com Pedro Nuno Santos.

"A dignidade do primeiro-ministro está ferida de morte. Se isto é permitido, todos podem fazer o que apetecer", acrescentou ainda.

Antes, e numa primeira introdução ao tema do novo aeroporto, Montenegro assegurou não aceitar qualquer chantagem psicológica, política ou institucional nem sobre o timing nem sobre o conteúdo da decisão".

No rescaldo, garantiu que "o novo líder do PSD não trata destes assuntos com ligeireza nem com estados de alma... Nem o novo, nem aquele que cessa funções".

De acordo com o novo líder social-democrata, o PSD tratará esta questão "com sentido de Estado e com sentido de proteção do interesse nacional".

Para o presidente eleito dos sociais-democratas, a polémica que envolveu Pedro Nuno Santos e António Costa constituiu "a mais inusitada, estranha e mal explicada briga entre um primeiro-ministro e um ministro em toda a história democrática".

O 40.º Congresso Nacional do PSD decorre até domingo, no pavilhão Rosa Mota, no Porto.

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