Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS
Em Alta Voz

"Nuno Melo tem feito uma oposição trauliteira, agressiva e sarrafeira"

Desafiado por Nuno Melo, Francisco Rodrigues dos Santos conseguiu, no Conselho Nacional cuja marcação é contestada, adiar o congresso eletivo para depois das legislativas. No programa "Em Alta Voz", o líder do CDS diz que os seus opositores nunca o aceitaram como presidente do partido, afirma que o CDS vive de uma "aristocracia feudalista", lamenta as demissões de militantes, mas, recorda, os responsáveis pelo pior resultado de sempre do parido são aqueles que o criticam.

Visto de fora, para quem não está na intendência, na mercearia dos partidos, dá ideia de que tem medo de eleições internas, que até já estavam marcadas. Qual é a sua razão de fundo para adiar o congresso eletivo?

A minha experiência como presidente do CDS prova que sou uma pessoa destemida. Tenho procurado assumir uma liderança afirmativa, talvez na circunstância mais difícil da história do CDS. Herdei um partido falido tecnicamente, com uma concorrência à direita como nunca houve, depois do pior resultado de sempre em eleições europeias e eleições legislativas e, de facto, não me senti minimamente condicionado por estas circunstâncias e decidi avançar e liderar o CDS num contexto que eu percebi que tinha contingências muito severas. Nos Açores atingimos um resultado histórico, fomos para o governo da região autónoma pela primeira vez. Nas eleições presidenciais apoiamos à primeira volta o Presidente da República que ganhou, que é da nossa família política, e que derrotou a esquerda e, nas eleições autárquicas, conseguimos não só ganhar todas as nossas câmaras com a maioria absoluta, conseguimos aumentar o número de autarcas que detínhamos face ao ano 2017 e mais do que duplicamos o número de câmaras que governamos com o PSD. Se somarmos às nossas são mais 50 que atualmente o CDS consegue imprimir o seu selo na governação de Portugal. Portanto eu não tenho receio rigorosamente nenhum de ir a votos internamente.

Mas qual a razão de fundo para adiar o congresso?

Tive contra mim a nomenclatura do partido, daqueles que regularmente estão nas televisões como comentadores, nos seus programas, nas colunas de jornais e nunca me senti intimidado por isso. Fui candidato contra todos os barões, assumi, não pedi autorização a ninguém. A minha candidatura não tinha padrinhos, singrou e conseguiu afirmar uma ideia de renovação do partido que ainda quero consumar e ainda não consegui. Agora relativamente ao adiamento do congresso. Estamos a falar de uma não antecipação da data do congresso. Não estamos a referir um adiamento do congresso do partido. O conselho nacional do partido - não foi o presidente do CDS - decidiu que o congresso teria lugar no calendário normal a que estaria obrigado a fazer-se. E porque é que assim o entendeu? Em primeiro lugar porque o presidente do partido recebeu uma carta de 13 presidentes distritais e o presidente da região autónoma dos Açores a pedir que o congresso fosse só realizado depois das eleições legislativas. No conselho nacional, em que participaram cerca de 300 membros, 85% das pessoas que têm lugar naquele órgão, que é o órgão máximo entre congressos, deliberaram por 60% - uma maioria absoluta e expressiva - que fazia mais sentido o partido concentrar-se nesta altura em construir uma alternativa política ao país, para derrotar a esquerda, do que estar retido em mercearia interna. Em assuntos que o têm desgastado e num clima tem sido verdadeiramente autofágico e fratricida desde que o congresso foi antecipado para novembro. O CDS daqui a seis semanas tem de apresentar um programa eleitoral, tem de ter listas fechadas e uma estratégia política definida - se envolve ou não coligações. O que os portugueses esperam de nós, é que saibamos apresentar um projeto. Mobilizemos o nosso eleitorado para construir uma alternativa que derrote o socialismo que já governa Portugal há seis anos com tremendos fracassos e é responsável pelas maiores limitações da liberdade que há memória.

E porque não seguir o exemplo do PSD, ou seja, uma clarificação interna, ainda este mês, para depois partir para as eleições?

Todos sabemos que a posição oficial do líder do PSD é que é um absurdo, em véspera de eleições legislativas, e depois do balanço que ganhamos nas eleições autárquicas, estar numa discussão pelo poder interno, em vez de estar verdadeiramente focado na construção de uma alternativa para o país.

E nisso está alinhado com Rui Rio?
É a minha posição. O que é que diferencia os dois partidos? É que o conselho nacional do PSD interpretou como sendo o mais urgente discutir a liderança nessa altura e o conselho nacional do CDS entendeu optar por uma postura de responsabilidade, dizendo que o líder do partido está obviamente legitimado para se manter nas funções e representar o partido nas eleições legislativas. O CDS não está propriamente numa situação confortável, tem muito que pedalar, tem de ganhar músculo, vitamina eleitoral, tem que criar novamente e restaurar um elo de ligação com os portugueses. Isto não se faz com um curto calendário de três semanas. Nenhum português compreende que um partido esteja a digladiar-se internamente nesta escalada de violência verbal, neste clima conflituoso, nesta quizilência habitual, do próprio discurso do Nuno Melo, que já se mantinha. O partido já estava num caos desde que o congresso antecipado foi convocado. Estava numa escalada de degradação interna.

Mas existindo um candidato pré-assumido, que era o Nuno Melo, não seria mais importante clarificar esta situação para impedir o que aconteceu nestas últimas semanas? De guerra realmente aberta entre a direção do partido e esses tais opositores internos?
O Dr. Nuno Melo desde que se anunciou como candidato que optou por uma postura que o caracteriza, muito trauliteira, muito agressiva, muito sarrafeira, de criticar apenas a direção do partido, não apresentando uma única solução para o país. E este ambiente tumultuoso, de conflitualidade já estava criado antes da antecipação do congresso. Eu decidi na altura propor ao conselho nacional que o congresso fosse antecipado. Porquê? Porque entendia que o partido devia ganhar tempo para preparar as eleições legislativas que, de acordo com os cálculos do calendário normal, ocorreriam dali a dois anos. Na altura o Dr. Nuno Melo opôs-se à antecipação do congresso.

Então porque não clarificar já ? O líder do PSD que sair das próximas diretas estará mais legitimado do que o líder do CDS que tem um challenger.
Fui eleito e estou legitimado pelos militantes do partido no partido Porque é que eu teria de antecipar? Terminar o meu mandato três meses antes por haver eleições legislativas? Eu conduzi o CDS a bons resultados eleitorais. Reduzi a dívida do partido em 55%. Era 1,2 milhões de euros e neste momento está em 600 e picos mil euros. Fiz uma campanha nos Açores com zero cêntimos financiado pela banca.

Mas a questão que se coloca é: não foi pior a emenda que o soneto? Ou seja, o facto de não se ter realizado o congresso deu azo, realmente, uma guerra interna, azo a saídas?
Mas vamos lá ver uma coisa. Parece que a guerra interna no partido só surgiu depois da não antecipação do congresso.

Mas agravou-se.
Não, já acontecia antes. Este era o ponto que eu queria destacar. Os meus opositores internos nunca aceitaram a minha legitimidade como líder do partido. Agora por artes mágicas vêm anunciar: vamos fazer congresso e quem ganhar integra, quem perder respeita. Eu pergunto: porque é que quem perdeu há um ano e meio não aceitou o resultado aquele congresso? Porque é que sempre me encararam como o líder ilegítimo, usurpador e um presidente transitório do CDS? E porque é que, ao longo deste tempo, se empenharam em estar nos órgãos de comunicação social sempre a denegrir e a apoucar a liderança do partido?

Podemos dividir isto em três tipos de legitimidade: formal e isso não há nenhuma dúvida a terá, há a legitimidade política, que acabou de dizer que acha que tem, e depois, há uma espécie de legitimidade que é da perceção pública.
O que é que os eleitores esperam do CDS? Que seja um partido estável, que não ande em guerrilhas permanentemente nem dê azo a assaltos ilegítimos ao poder só porque acontecem eleições legislativas. Quem tem sido o líder do CDS, votado pelos militantes ao longo deste ano e oito meses? Tenho sido eu. Acho que seria muito mais confuso para os portugueses que, a um mês das eleições legislativas, o CDS mudasse de líder. Até por uma questão de mérito. Se eu herdei o partido, se calhar nas circunstâncias mais difíceis da sua história, e tenho reduzido a dívida, tenho levado o partido para o governo dos Açores, consegui crescer nas eleições autárquicas, aumentar a influência de poder do CDS nas autarquias locais... por que diabo os portugueses haverão de desconfiar do exercício da minha liderança? Eu ando nas ruas, converso diariamente com os portugueses.

A questão é da perceção pública. No país, o que se diz é que o PSD vai ter um líder, o CDS vai andar às cabeçadas. Isso é bom para quem vai fazer campanha?

O que presidiu à decisão do conselho nacional foi a prioridade dada aos portugueses. Decidimos entender o momento que o país atravessa como uma urgência de responder aos portugueses. Para não termos depois situações como aquela que o Dr. Rui Rio relatou ontem, de que não vai fazer campanha interna para o partido porque a prioridade realmente é falar para fora. Se temos órgãos mandatados, se temos legitimidade formal e política, nós entendemos que devemos seguir em frente, olhar para o futuro, debater ideias e apresentar respostas para os portugueses para não coartarmos tempo nem desperdiçamos energias naquilo que não interessa nesta altura.

Os seus opositores têm um argumento e dizem que no dia 30 de janeiro, data das eleições, o seu mandato já terá acabado. Portanto a sua legitimidade dura até essa data. E depois?

Isso não é verdade. O presidente do partido tem sempre legitimidade até ser substituído em congresso. Basta olhar para o passado, houve presidentes que só duraram meses. Por exemplo, Paulo Portas. Fará sentido que o processo legislativo de preparação para o próximo ato eleitoral se inicie no dia 20 de dezembro e que eu faça listas, tenha uma estratégia eleitoral, apresente o meu programa e depois não seja eu, no dia 30 de janeiro, a representar o partido em urnas? Isso era um absurdo. Era ser eu a fazer tudo isto e depois temos outro presidente do partido, por absurdo, que nunca aconteceria porque eu estou absolutamente convicto de que venceria o congresso.

Há processos em tribunal para reverter esta decisão de não antecipar o congresso. A hipótese de o tribunal decidir o contrário do conselho nacional tornava-se uma coisa grave para a vida interna do CDS?
Não fui notificado de nenhuma propositura de uma ação em tribunal. Mas posso discutir aqui a questão da legitimidade processual dessa intifada que o Nuno Melo iniciou. O nosso conselho nacional foi convocado com 24 horas de antecedência, porque foi decretado com caráter de urgência e os estatutos do partido permitem isso. Em 2013 o Dr. António Pires de Lima convocou um conselho nacional com 19 horas de antecedência, cujo ponto único de ordens de trabalho era cancelamento do congresso do partido. E foi tudo legal.

Nessa altura não havia uma disputa de liderança, não havia uma crise política, não havia eleições antecipadas, não havia um Orçamento chumbado, não havia uma dissolução da Assembleia da República...
Não compreendo porque é que o CDS tem de iniciar um processo interno antecipado de eleição de líder só porque há eleições legislativas. Aqueles que em janeiro queriam atirar-me janela fora e retirar-me a liderança do partido achavam que o conselho nacional tinha legitimidade se me chumbasse a moção de confiança para me remover do líder do CDS e fazer um congresso. Confesso-vos que não entendo esse discurso. É exíguo, é incoerente e altamente contraditório. E acho que os portugueses percebem que não há necessidade nenhuma de o CDS antecipar um congresso quando tem um líder eleito, com mandato que abrange as eleições legislativas e depois tudo aquilo que passou, depois de todas as críticas a que foi sujeito, ter os barões do partido constantemente contra si, ter tido três bons resultados eleitorais, não guie o partido para as eleições legislativas. Esta chantagem é que eu permito que aconteça. Não pertenço ao sistema, sou um tipo que vem de fora, do interior do país, subiu na vida a pulso, não pertenço a esta aristocracia que se instalou no CDS durante 20 anos. Portanto, sou estranho a esta lógica de grupo, então tenho de saltar borda fora porque importante é cada um tratar do seu quintalzinho e decidir aqui como é que se faz a gestão das listas. E tenho de ser corrido. Acho que os portugueses também percebem que o que está aqui em causa não é nenhum choque de ideias. Já alguma vez ouviram o Nuno Melo defender uma ideia para o país? Não há. O que o Nuno Melo tem dito, juntamente com os seus apoiantes é: o Francisco tem que sair, não tem condições, não tem pedigree, não tem categoria, é um incapaz, é inábil, o CDS é irrelevante. Pois esta conversa do CDS é irrelevante é uma extraordinária ironia. É que eles têm todos muito mais tempo de antena em televisão do que eu tive ao longo deste ano e meio.

Tem sido acusado de não ter tentado agregar, de não ter criado pontes, de ter mantido o partido dividido em dois blocos. Que passos efetivamente deu nestes dois anos para tentar criar essa unidade?
O primeiro passo que dei foi na noite do congresso em que a minha moção saiu vencedora. Falei com todos os primeiros subscritores da moção estratégia global para integrarem a minha lista aos órgãos nacionais do partido. Os únicos que aceitaram foram Filipe Lobo d"Ávila, Abel Matos Santos, Miguel Mattos Chaves. Todos os outros, à cabeça João Almeida, recusaram o convite. Não contente com isso consegui integrar o António Carlos Monteiro e o Nuno Correia da Silva nas minhas listas. Depois nomeei um grupo de sábios a que chamei grupo para a recuperação económica e social de Portugal onde incluí o Dr. António Pires de Lima para participar. Formei "n" grupos de trabalho, onde inclui também o grupo parlamentar para desenvolvermos políticas para Portugal que fossem ao encontro da nossa visão do país, ao nível económico e social, de apoio aos jovens e aos idosos.

Mas formou os grupos e eles funcionaram? Produziram pensamento?
Produziram pensamento com aqueles que quiseram colaborar.

Quem é que não quis colaborar?
Houve pessoas que saíram de grupos, como o caso do Dr. António Pires de Lima, porque entendeu que na altura que devia escrever um artigo no Expresso a dizer que cadelas apressadas parem filhos cegos a falar do presidente do seu partido, entre outros que decidiram que não era relevante colaborar com a direção do partido. Nas eleições autárquicas eu incluí muitos opositores internos nas listas. Não fiz saneamentos rigorosamente nenhuns. Obedeci a critérios de mérito, de renovação e contaram com a aposta do partido em sítios estratégias para terem bons resultados. Como presidente do partido eu sempre estive aberto ao diálogo. O Dr. Nuno Melo e o Dr. Telmo Correia têm assento, por inerência, nas reuniões da comissão executiva do partido e na Comissão Política Nacional. Foram a duas ou três reuniões ao longo deste um ano e oito meses. Nem quiseram lá estar sentados para discutir a vida interna do partido. Só apareceram quando estava em causa a disposição de lugares, ou nas autárquicas, ou agora a propósito a convocação do congresso, ou quando tinham interesse direto para si ou para os amigos a discutir naquelas reuniões. Aquele lado, que perdeu o congresso, nunca aceitou a derrota. Tive relatos de pessoas que disseram "bem, se for preciso destruir o partido para acabar com ele, vamos a isso". Tive pessoas que disseram "ou nós ou o fim do partido". Os portugueses têm de perceber que eu, sendo um jovem, assumi a liderança de um partido conservador e estruturante da nossa democracia contra um sistema de interesse que estava montado através de um friso de personalidades que aprendeu a tratar o partido como se fosses seu. Estou agora a sofrer retaliações que é consequência de dois anos que tenho de mandato, sempre com os mesmos contra mim, nas televisões, e uma oposição mais externa do que interna, porque internamente são uma minoria, a tentar boicotar o meu trabalho.

Que fação é essa no CDS que não o deixa trabalhar? É o grupo parlamentar? São os órfãos de Paulo Portas?
Aquele bloco em que se entrincheirou desde derrota do último congresso, que desde essa altura procurado destituir-me das minhas funções. Eles estão a reeditar um filme "José Ribeiro e Castro 2". Fui convidado a fazer o encerramento das jornadas parlamentares e no dia anterior o Nuno Melo tinha sido convidado para falar sobre os desafios da oposição. Gastou uma hora a rasgar a direção do partido toda de cima a baixo. Eu no dia seguinte fui, não respondi ao Nuno Melo, com uma elevação e uma educação que gostava que fosse recíproca da sua parte, mas não é, só falei para o país e nas televisões passou zero. Em janeiro o Dr. Adolfo Mesquita Nunes entendeu que eu já não tinha condições, tinha passado o prazo de validade para ser líder do partido. Tive artigos nos jornais a dizer impropérios e alarvidades sobre o presidente do próprio partido. Nos comentários, nas televisões... eu nunca tive pessoas disponíveis para reproduzir a estratégia do meu partido. Portanto, sempre houve dois partidos. Tenho de colocar um ponto final nisto. Estas eleições legislativas são decisivas para o CDS, não só porque precisamos de ter um bom resultado para crescermos, mas também para afirmar esta ideia de partido que representa esta minha direção. Um partido refrescado, com novos protagonistas, renovado, com uma atualização dos nossos valores, uma direita certa para o país, que permita que o sucesso de cada um não seja limitado pelo código postal, pelos apelidos de família ou pela conta bancária. E que não encara a liberdade como um valor absoluto.

Nas próximas listas não conta com pessoas como Telmo Correia, Cecília Meireles ou João Almeida?
A Dra. Cecília Meireles é a melhor deputada do CDS e do parlamento. E que só não continuará como deputada se assim não quiser. Sou o único líder partidário que não está no parlamento. Isso tem consequências políticas, para mim, para o meu mandato e para a afirmação do partido. Nunca pedi à deputada Cecília Meireles para renunciar ao seu mandato. E podia tê-lo feito. Acho que era legítimo.

Como foi a sua relação com o grupo parlamentar nestes dois anos?

Pedi à Dra. Cecília Meireles para se manter como líder parlamentar logo a seguir a ser eleita. Também entendeu que essa não era a vontade dela. Quanto aos outros, o João Almeida decidiu que, ao final de 20 anos, não estaria disponível para continuar. Respeito a sua decisão. Com o Dr. Telmo Correia depreendo, das acusações que faz à liderança do partido, e sendo coerente com elas, que não está disponível, também, para continuar como deputado.

Mas se depreende é porque não falou com ele.

Tento fazer a agregação possível. Ninguém pode exigir-me que trabalhe com um grupo parlamentar que não foi escolhido por mim como trabalharia com um grupo parlamentar que tinha sido resultado da minha seleção de figuras.

Há o partido Francisco Rodrigues dos Santos e o partido do grupo parlamentar?

Não. Eu acho é que o grupo parlamentar, nomeadamente o Dr. Telmo Correia devia compreender o seguinte: que não é o grupo parlamentar que tem um partido, é o partido que tem um grupo parlamentar. E, de facto, no passado com os mesmos protagonistas viu-se a vida negra que se fez, por exemplo, ao Dr. José Ribeiro e Castro quando foi presente do partido. Portanto, isto é uma tática, é uma estratégia que já foi usada no passado que agora procuraram repetir comigo, embora o resultado será manifestamente diferente como eu espero.

Nas últimas semanas, por exemplo, o CDS perdeu, dizem os críticos, centenas de militantes, mas publicamente sabemos que perdeu alguns com alguma notoriedade, históricos do partido. Essas saídas não fragilizam o CDS a dois meses das eleições?
Sobre a sangria de militantes é um mito que convém agora ser negado, perentoriamente. No ano de 2020 por cada militante que saiu do CDS entraram dois novos militantes. Portanto o dobro. No ano 2021 nós podemos verificar que, só no último mês, entraram no partido mais de 800 novos filiados, sendo que o grosso destas entradas ocorreu já depois do cancelamento do congresso antecipado.

Mas os que saíram e têm notoriedade, não é prejudicial para o CDS?

Como presidente do partido, não fico contente nem satisfeito, não me regozijo pela saída de militantes do partido, mais ou menos conhecidos. Embora deva dizer que, para mim, são todos iguais. Mas também sei que a história do partido não se confunde com as dessas personalidades. O partido já sofreu saídas de ex-presidentes do partido, ex-fundadores e soube continuar a sua história. Não vale a pena nós dramatizarmos essas saídas como sendo uma catástrofe, um crime lesa-partido, que ocorreu, porque nós também temos, nesta direção, filiados militantes do partido que ainda não são conhecidos pelos portugueses, mas quando forem e, quando tivermos essa oportunidade, saberão elevar o CDS tão ou mais alto do que esses que agora saíram.

Vai dizer que as sondagens valem o que valem, que já deram CDS muitas vezes morto, mas os resultados continuam a ser fraquinhos.
Pelo menos a última que eu tinha visto era 0.8% e agora é de 2%. Tenho a certeza absoluta de que o CDS está vacinado contra sondagens. E nestas eleições autárquicas creio que ficou demonstrado que esses estudos de opinião são falíveis. E a margem de erro é bastante maior do que aquela que indicam os estudos. Estou convencido de que se o CDS fizer uma boa campanha, tiver um programa apelativo, se apresentar boas soluções para os portugueses vai desmentir essas sondagens em urnas.

Já disse que era favorável a uma coligação com o PSD. Se ganhar Rui Rio o trabalho parece mais facilitado, mas se ganhar Paulo Rangel no PSD as coisas ficam complexas porque já disse que não é favorável a coligações pré-eleitorais.
Eu não disse que era favorável a uma coligação, disse que achava que o partido deveria caminhar nesse sentido. Disse que encontrava vantagens e benefícios se o CDS concorresse coligado com o PSD. E quais são essas virtualidades que eu encontro? A primeira delas é o fator psicológico que desperta no eleitorado, sendo que os eleitores de centro-direita esperam uma força mobilizadora que aglutine este eleitorado, e que permita derrotar a esquerda. Andei na rua nas eleições autárquicas e senti que o eleitorado do centro-direita pedia essa conciliação entre esses dois partidos. Segundo ponto é matemático. A distribuição de mandatos pelo método de Hondt favorece sempre os grandes somatórios de números. O terceiro ponto é que o país precisa de estabelecer pontos de convergência na área do centro-direita para derrotar a esquerda. O facto de ter dito que encontrava vantagem em irmos coligados não significa que seja um problema o CDS ser candidato em listas próprias.

Neste momento há outros partidos à direita que podem captar o eleitorado do CDS. O que é que vai dizer aos eleitores para impedir esse esvaziamento do partido?
Em primeiro lugar dizer que o CDS é um partido que se afirma por valores que neste momento urge implementar em Portugal. Um Estado que alivie as contas das pessoas, que permita a recuperação económica e social dos portugueses, que combata a pobreza, em que trabalhar seja suficiente para as pessoas não serem pobres, que ajude os jovens a construir a família, terem habitação e salários condignos, que liberte os idosos numa escolha desumana que é comprar alimentos ou comprar medicamentos.

O que é que isso difere dos outros partidos à direita?
Difere no sentido em que o CDS é um partido que respeita as liberdades, que não persegue ninguém pela sua etnia nem pela cor da pele, que é um partido com propostas sensatas e razoáveis para os problemas das pessoas, que coloca a nação acima do indivíduo e a liberdade não a encara como valor absoluto, mas com responsabilidade e sempre ao serviço do bem.

Veja a entrevista na íntegra:

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