Protesto contra André Ventura em Coimbra. Candidato acusa BE de orquestrar manifestantes

A polícia de intervenção esteve sempre entre os manifestantes e os apoiantes do candidato da extrema-direita parlamentar.

Foi a maior manifestação que André Ventura já enfrentou durante a campanha eleitoral. Na cidade dos estudantes, os jovens saíram à rua gritando: "O fascismo não passará."

O candidato do Chega tinha uma iniciativa de campanha marcada para o fim da tarde na igreja de Santa Cruz. Uma visita ao túmulo onde está sepultado D. Afonso Henriques. No entanto, na altura decorria uma missa e o candidato ficou a assistir, ajoelhado. No templo entoavam-se cânticos religiosos mas ao fundo ouvia-se a ruidosa manifestação." Não passarão", gritavam os manifestantes vigiados de perto pela policia de intervenção. A força policial posicionava-se entre os manifestantes e os apoiantes do Chega, que se encontravam em muito menor número, empunhando cartazes com o rosto do candidato e bandeiras nacionais.

Mesmo assim, a candidatura garantia aos jornalistas que André Ventura iria falar do átrio da igreja aos seus seguidores. Na aparelhagem sonora do Chega começa a ouvir-se o hino da Maria da Fonte, um Hino patriótico, que ainda hoje é tocado em cerimónias militares e que apela ao heroísmo. "É avante portugueses, é avante, não temer", ouvia-se.

Mesmo com o ambiente hostil que o rodeava, André Ventura quis demonstrar que enfrentava os manifestantes." Nós não temos medo, nem de manifestações, nem de boicotes", gritou

E aos que se insurgiram contra a sua presença lançou um desafio. "Preparem-se, acompanhem-nos por todo o lado, terão de vir para todo o País porque eu nunca vou ter medo de sair à rua para vos enfrentar", disse num discurso inflamado. " Nunca terei medo de ir a eleições para vos derrotar", acrescentou.

No espaço de tempo em que decorreu a manifestação, não chegou a haver confrontos entre um e outro lado mas a iniciativa foi sempre vigiada de perto pela policia. Durante a saída do local do candidato os manifestantes antifascistas gritavam " Ventura , vai-te embora", os apoiantes do deputado do Chega ripostavam: "Vão trabalhar."

Ventura acusa BE de estar a vigiá-lo e de orquestrar as manifestações

Depois da manifestação, já no hotel em, Coimbra André Ventura disse aos jornalistas ter provas de que o Bloco de Esquerda (BE) está por detrás das manifestações que se insurgem contra ele.

Mais tarde, o BE negou qualquer ligação à organização de manifestações contra o candidato presidencial do Chega, considerando as acusações de André Ventura "mentirosas" e "absurdas", numa posição oficial do partido distribuída aos jornalistas.

"O BE não organizou qualquer manifestação. Tanto quanto sabemos, foram organizadas por organizações e pessoas que combatem o racismo", lê-se.

O candidato presidencial do Chega anunciou que vai apresentar queixas à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e à Polícia de Segurança Pública (PSP)" por suposta "espionagem" e "boicote" à sua campanha por parte do BE, tendo exibido uma fotografia de uma carrinha de produção da campanha da bloquista Marisa Matias que diz ter estado a seguir a caravana do partido nacional-populista.

Na resposta, o BE esclarece: "A carrinha referida é usada pela equipa da campanha presidencial da Marisa Matias e tem acompanhado as ações da candidata, como qualquer jornalista pode confirmar".

"A carrinha esteve no comício virtual de São João da Madeira, no dia 15 de janeiro, e seguiu, nessa mesma noite, para Viseu, para preparar a iniciativa que Marisa Matias realizou naquela cidade no dia seguinte. Percebemos que o candidato da extrema-direita esteja com medo da solidariedade de um país que se elevou contra quem insulta mulheres, mas estas acusações, além de mentirosas, são absurdas", declaram os responsáveis bloquistas.

As eleições presidenciais realizam-se em plena epidemia de Covid-19 em Portugal, a 24 de janeiro, a 10.ª vez que os cidadãos portugueses escolhem o chefe de Estado em democracia, desde 1976. A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina a 22 de janeiro.

Há outros seis candidatos: o incumbente Marcelo (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e "Os Verdes"), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva ("Tino de Rans", presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar).

*com Lusa

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