O Governo esteve bem na crise dos combustíveis? Portugueses dividem-se

Na mais recente sondagem da Pitagórica para a TSF e para o JN, 31% dos inquiridos considera que o executivo de António Costa agiu bem. Quase tantos quantos os que consideram que agiu mal.

Foi o tema que aqueceu politicamente este agosto de 2019. Uma greve dos motoristas de matérias perigosas que ameaçava parar o país e à qual o Governo decidiu responder com pulso firme. A dois meses das eleições legislativas, houve elogios à resposta firme eficaz de António Costa mas não faltaram críticas de oportunismo político na forma como o primeiro-ministro decidiu lidar com esta greve.

Esta divisão de opiniões parece ser corroborada pelos inquiridos na mais recente sondagem da Pitagórica para a TSF e JN: 31% faz uma avaliação positiva da atuação do Governo, enquanto 30% considera que o Executivo socialista esteve mal. Na verdade, apenas 7% dos que responderam a este estudo de opinião considera "muito boa" a atitude do Governo, enquanto 9% não hesitam em considerar que o Governo esteve "muito mal".

Entre os que viram com bons olhos a forma como o Governo lidou com a crise energética, estão sobretudo os homens, mais velhos e de classes mais altas, residentes em Lisboa, e que fazem parte, sobretudo, do eleitorado do PS.

Todos ralham e... todos têm razão

É, talvez, o adágio popular que melhor encaixa na luta dos motoristas de matérias perigosas: "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão." Numa adaptação muito livre, podemos dizer que, neste caso, os portugueses conseguem compreender os dois lados da luta. À pergunta "quem tem razão na crise dos combustíveis", a maior parte dos inquiridos - 33% - considera que ambos (trabalhadores e patrões) têm razão. Ainda assim, 31% dos que responderam às perguntas da Pitagórica, dão razão aos motoristas e apenas 9% aos patrões.

Ao lado dos trabalhadores estão, sobretudo, os mais jovens, de classes mais baixas, eleitores do Grande Porto e tipicamente eleitorado da CDU e do Bloco de Esquerda.

Nesta sondagem feita para a TSF e para o JN, há ainda a considerar 16% dos inquiridos que não reconhece razão nem a um lado nem ao outro e apenas 1% dá razão ao Governo.

#motoristasmal

Se é verdade que muitos parecem simpatizar com a luta dos motoristas, não é menos verdade que a esmagadora maioria dos inquiridos considera que os sindicatos não se portaram bem: 47% avalia de forma negativa a postura do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, que teve como principal rosto Pardal Henriques, e apenas 11% faz um julgamento positivo; 32% considera mesmo má a atitude dos motoristas e 15% muito má.

Entre os que mais criticam a postura do sindicato, estão eleitores com mais de 55 anos, de classes sociais mais altas, residentes, sobretudo, no Grande Porto e no Centro do país.

Quanto a Pardal Henriques - que aproveitou o mediatismo para entrar na política -, a maioria dos inquiridos concorda que deve deixar de ser o porta-voz dos motoristas. Apenas 32% pensa o contrário.

#antrammal

Quem não se fica a rir são os patrões. A percentagem dos que fazem uma avaliação negativa da ANTRAM em todo este processo é quase equivalente à dos que avaliam como má a prestação dos sindicatos: 46% dos inquiridos não gostou da postura dos patrões e apenas 6% a elogia.

Mais uma vez, os críticos dos patrões vêm, sobretudo, do Grande Porto e fazem parte do eleitorado do Bloco de Esquerda.

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pela Pitagórica para o JN e a TSF com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a crise dos combustíveis.

O trabalho de campo decorreu entre os dias 12 e 24 de agosto, foram recolhidas 1525 entrevistas telefónicas a que corresponde uma margem de erro máxima de +/- 2,56% para um nível de confiança de 95,5%.

A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores portugueses recenseados e foi devidamente estratificada por género, idade e região. A taxa de resposta foi de 72,86% e a direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva.

A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social, que os disponibilizará para consulta online.

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