O juiz "não tem o direito de me indiciar por crimes novos"

José Sócrates criticou o juiz Ivo Rosa por ter referido que existiam indícios de um crime de corrupção sem apontar um ato concreto.

José Sócrates negou ter sido corrompido por Carlos Santos Silva e criticou o juiz Ivo Rosa por lhe ter atribuído um crime com o qual nunca tinha sido confrontado antes.

"Nunca o engenheiro Carlos Santos Silva foi apontado como meu corruptor. O engenheiro Carlos Silva não está em nenhum momento do processo como corruptor ativo. E agora passou a corruptor ativo? Isso é um abuso. Não tem o direito de me indiciar de crimes novos que não estão na acusação", afirmou o ex-primeiro-ministro, em entrevista à TVI.

Apesar de Ivo Rosa ter feito cair todos os crimes de corrupção do processo Operação Marquês, o ex-primeiro-ministro garante que não tem nenhuma simpatia pelo juiz.

"Não tenho nenhuma simpatia nem antipatia por Ivo Rosa. Eu apenas o considero como um juiz escolhido segundo as regras da lei, coisa que não aconteceu com Carlos Alexandre. Mas porque é que o juiz Ivo Rosa decidiu deitar abaixo tudo aquilo? Porque não tinha outra hipótese de o fazer. Porque nós provámos que as acusações era estapafúrdias", explicou José Sócrates.

A investigação do processo Operação Marquês começou em 2013, o antigo primeiro-ministro José Sócrates foi detido em novembro de 2014, chegou a estar em prisão preventiva e três anos depois, em 2017, foi deduzida a acusação.

O Ministério Público acusou 28 arguidos de um total de 188 crimes económico-financeiros, dos quais 31 imputados a José Sócrates.

A fase de instrução do processo durou mais de dois anos - de 28 de janeiro de 2019 até 02 de julho 2020, quando terminou o debate instrutório, tendo a decisão instrutória sido conhecida no passado dia 9 de abril.

Ivo Rosa determinou que Sócrates seria julgado por três crimes de branqueamento de capitais e três de falsificação de documentos, juntamente com o seu amigo e empresário Carlos Santos Silva a quem o juiz deu como provado que corrompeu o antigo chefe de Governo, configurando um crime - corrupção ativa sem demonstração de ato concreto - que considerou prescrito.

Dos 28 arguidos do processo, foram pronunciados apenas cinco: o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, por três crimes de abuso de confiança, o antigo ministro Armando Vara por lavagem de dinheiro e o ex-motorista de Sócrates João Perna por posse ilegal de arma.

Ficaram ilibados na fase de instrução, entre outros, os ex-líderes da PT Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, o empresário Helder Bataglia e o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca.

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